BC diz que tomará "medidas necessárias" para segurar a inflação e indica juros maiores

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015 10:06 BRST
 

Por Patrícia Duarte

SÃO PAULO (Reuters) - O Banco Central afirmou que tomará as "medidas necessárias" para controlar a escalada de preços independentemente da política fiscal e do cenário de incertezas, indicando que deve voltar a elevar os juros básicos em breve.

Ao mesmo tempo, a autoridade monetária piorou sua previsão para a inflação neste ano e em 2016, afirmando que ambas estão acima do centro da meta --de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos--, segundo ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta quinta-feira.

"Independentemente do contorno das demais políticas, o Comitê adotará as medidas necessárias de forma a assegurar o cumprimento dos objetivos do regime de metas (de inflação)", trouxe o documento, ressaltando que isso significa levar "a inflação o mais próximo possível de 4,5 por cento em 2016... e fazer convergir a inflação para a meta de 4,5 por cento em 2017".

Para 2017, a meta de inflação é de 4,5 por cento, mas com margem de 1,5 ponto percentual.

Na semana passada, o BC decidiu manter a Selic em 14,25 por cento ao ano, mas numa decisão dividida, com dois membros do Copom optando por elevar a taxa em 0,5 ponto percentual, em meio à piora nas expectativas de inflação e no cenário de indefinições fiscais e turbulências políticas no país.

Mais uma vez, o BC destacou o atual cenário fiscal, com as contas públicas em desordem, como um dos fatores que pesam negativamente sobre o cenário econômico. Para a autoridade monetária, as incertezas envolvem "a velocidade do processo de recuperação dos resultados fiscais e a sua composição, e que o processo de realinhamento de preços relativos mostra-se mais demorado e mais intenso que o previsto".

Segundo a pesquisa Focus do próprio BC, que ouve semanalmente uma centena de economistas, as expectativas de alta da inflação têm piorado com intensidade. No início de outubro, os cálculos para a elevação do IPCA em 2015 e 2016 estavam em 9,5 e 5,92 por cento, passando agora para 10,38 e 6,64 por cento, estourando a meta do governo.

Para 2017, as contas também estão cada vez piores: passaram de alta de 4,86 para 5,12 por cento, no período.   Continuação...

 
Sede do Banco Central, em Brasília.   23/09/2015   REUTERS/Ueslei Marcelino