Indústria de petróleo teme que crise política atrase decisões importantes para setor

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015 12:37 BRST
 

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A crise política pela qual passa o Brasil, agravada na quarta-feira à noite após pedido de abertura de processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff ter sido acatado, preocupa a indústria de petróleo brasileira, que teme uma paralisia ainda maior do Congresso Nacional e o adiamento de medidas importantes para o setor.

Além dos baixos preços do petróleo no cenário internacional, a cadeia industrial de óleo e gás convive com as consequências das dificuldades financeiras da Petrobras, que teve contratos envolvidos em um escândalo de corrupção que atingiu políticos e as maiores empreiteiras do Brasil.

A situação no Brasil é "mais drástica" do que no restante do mundo, na avaliação do professor adjunto e integrante do Grupo de Economia de Energia do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IE/UFRJ), Edmar de Almeida.

"A crise política que o Brasil está passando dificulta a tomada de decisões importantes para o setor. Eu acho que são decisões urgentes que precisam vir para buscar primeiro solucionar a crise financeira da Petrobras, dar um encaminhamento mais seguro para o ajuste que a Petrobras está fazendo, e segundo atrair investimento privado, em um patamar muito maior que o Brasil tem hoje", afirmou Almeida, a jornalistas em evento do setor.

Segundo Almeida, a própria venda de ativos da petroleira estatal depende de medidas do governo, como a renovação antecipada de concessões de campos maduros de produção. Os investidores interessados nesses ativos precisam de segurança regulatória de que terão esses ativos por mais tempo do que os atuais contratos garantem.

Para Almeida, o processo de impeachment agrava ainda mais a crise atual.

"Cada um vai ter sua interpretação de mais ou menos esperança para a solução da crise política. Eu pessoalmente acho que (o processo de impeachment) é mais um degrau acima no atual conflito político", afirmou o professor, ponderando que alguém pode considerar, de outro lado, que o processo de impedimento pode ser um sinal de que uma solução pode estar próxima.

Almeida falou durante evento na Federação das Indústria do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) marcado com o objetivo de discutir o futuro da indústria de petróleo.   Continuação...

 
Plataforma de petróleo vista em Niterói, Rio de Janeiro.  21/04/2015   REUTERS/Pilar Olivares