BC deve agir de forma "contundente e tempestiva" para domar expectativas de inflação, diz diretor

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015 17:24 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - O diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Tony Volpon, afirmou nesta quinta-feira que a autoridade monetária deve agir e responder "de forma contundente e tempestiva" para retomar o processo de ancoragem das expectativas de inflação, reforçando a sinalização da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta manhã, de que a Selic será elevada em breve.

"Assim sendo, um ajuste monetário eficiente vai contribuir para a retomada da economia. Hoje, o controle efetivo da inflação é uma condição necessária para a recuperação do crescimento econômico sustentável", disse Volpon em evento do J.P.Morgan Brazil e cujo discurso foi divulgado pelo próprio BC.

Na ata do Copom, o BC informou que tomará as "medidas necessárias" para controlar a escalada de preços independentemente da política fiscal e do cenário de incertezas, indicando que deve voltar a elevar os juros básicos em breve.

Na semana passada, quando o Copom manteve a Selic em 14,25 por cento ao ano, Volpon foi um dos dois votos contrários à manutenção, optando pela alta em 0,5 ponto percentual.

Segundo o diretor, o comportamento da inflação nos últimos meses é preocupante. "A superação do nível de 10 por cento ao ano (pelo IPCA) tem uma carga simbólica que não deveríamos ignorar, potencialmente incentivando um comportamento mais defensivo via indexação por parte dos agentes econômicos", disse.

E acrescentou: "Venho aqui rechaçar, veementemente, qualquer hipótese se de perda de eficácia da política monetária e de uma suposta falta de disposição do Banco Central em cumprir sua missão primordial de assegurar a estabilidade do poder de compra da nossa moeda".

Boa parte dos analistas já passou a contar que a Selic será elevada novamente em janeiro, quando o Copom se reúne novamente. No mercado futuro de juros, as apostas indicam que o aumento será de 0,5 ponto percentual.

(Por Flavia Bohone)