BTG Pactual está confortável com posição de liquidez após linha do FGC, diz Arida em carta

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015 16:14 BRST
 

Por Guillermo Parra-Bernal e Tatiana Bautzer

SÃO PAULO (Reuters) - O BTG Pactual está confortável com sua liquidez, mas vai continuar a buscar novas vendas de ativos, afirmou o presidente do conselho do grupo financeiro, Pérsio Arida, em carta enviada a clientes do grupo nesta sexta-feira e obtida pela Reuters.

O nível de conforto veio depois que o BTG Pactual acertou acesso a uma linha de até 6 bilhões de reais do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que deu fôlego à instituição financeira que tem sofrido forte volume de resgates de clientes após a prisão de seu ex-presidente, André Esteves, na semana passada.

"Eu agora estou confortável com nossa posição de liquidez, mas vamos continuar olhando novas vendas de ativos nas próximas semanas", disse Arida no documento, acrescentando que a linha do FGC foi obtida como "medida de prudência".

A linha do FGC, que é financiada por uma porcentagem dos depósitos dos próprios bancos, dá ao BTG Pactual algum fôlego para atender os 15 bilhões de reais em compromissos até o final do ano, enquanto as receitas das vendas de ativos entram no caixa do banco. BTG Pactual tinha 40 bilhões de reais em recursos no fim de setembro.

O grupo dos sete principais sócios do BTG Pactual -- Marcelo Kalim, Roberto Sallouti, Pérsio Arida, Antonio Carlos "Totó" Porto, James de Oliveira, Renato dos Santos e Guilherme Paes -- que assumiu no lugar de Esteves, está negociando ceder carteiras de crédito a outros bancos do país, além de outros ativos, com participação em empresas, para levantar recursos e fortalecer a liquidez.

Com as dívidas de longo prazo e o patrimônio cobrindo apenas 23 por cento das necessidades de liquidez do BTG Pactual, os recursos do FGC lhe dão mais acesso a recursos de longo prazo.

"A lógica por trás dessa linha de crédito é ajudar o BTG Pactual a se estabilizar: isso não deve ser visto como um resgate", disse Caetano Vasconcellos, diretor jurídico do FGC.

Segundo duas fontes com conhecimento direto das negociações com o FGC, o BTG Pactual ofereceu em troca 8 bilhões de reais em ativos como garantia. O FGC é controlado pelos três maiores bancos privados do país: Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil.   Continuação...