Dólar fecha em queda pelo 4º dia consecutivo, a R$3,739, com EUA e política local

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015 21:28 BRST
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar recuou pela quarta sessão seguida e fechou abaixo de 3,74 reais nesta sexta-feira, com investidores recebendo bem dados fortes sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos e avaliando as implicações do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

O dólar recuou 0,26 por cento, a 3,7390 reais na venda, após registrar na véspera a maior queda em um mês. Na semana, a moeda norte-americana recuou 2,21 por cento.

A economia dos EUA criou mais vagas que o esperado em novembro, mostrando sua resiliência e reforçando ainda mais as apostas na elevação dos juros neste mês. Operadores já trabalhavam com o cenário de elevação dos juros norte-americanos e acreditam que o Federal Reserve, banco central do país, deve adotar uma postura gradual dali em diante.

"Ter mais certeza de que vai haver um aumento (de juros) agora é algo positivo para emergentes de maneira geral", disse o economista da 4Cast Pedro Tuesta, ressaltando que isso reduz as incertezas. "O que importa agora é o tom do Fed."

No mercado local, o cenário político continuou sendo o centro das atenções, após o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acolher na quarta-feira pedido de abertura de processo de impeachment contra Dilma. O processo ainda precisa passar por várias etapas antes de resultar em uma votação definitiva sobre o futuro da presidente Dilma.

"Há uma visão otimista, que acredita que o impeachment pode romper o impasse político que impediu que o governo comece a resolver a péssima situação econômica" escreveram analistas do JPMorgan em nota a clientes. "Também há uma visão pessimista, que enfatiza que os custos do processo de impeachment são altos, especialmente no curto prazo. Estamos nesse segundo campo."

Na véspera, as agências de classificação de risco Moody's e Fitch afirmaram que a abertura do processo de impeachment contra Dilma complica o já desafiador ambiente político nacional e tem potencial de minar os esforços fiscais do governo e as perspectivas de crescimento no curto prazo.

O BC também deu continuidade, pela manhã, à rolagem dos swaps cambiais que vencem em janeiro, com oferta de até 11.260 contratos, que equivalem a venda futura de dólares. Até agora, a autoridade monetária já rolou o equivalente a 2,190 bilhões de dólares, ou cerca de 20 por cento do lote total, que corresponde a 10,694 bilhões de dólares.

 
Notas de reais e dólares norte-americanos em casa de câmbio no Rio de Janeiro. 10/09/2015 REUTERS/Ricardo Moraes