Levy diz que processo de impeachment não deve atrapalhar ajuste fiscal

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015 21:26 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse nesta sexta-feira que o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff não deve atrapalhar as aprovações de medidas do ajuste fiscal, assim como não atrapalha os objetivos da política econômica.

"Este é o momento em que é mais importante deixar muito claro qual a política econômica, o que a gente quer... Por isso que eu acho que o impeachment não atrapalha em nada", disse o ministro a jornalistas, após encontro com representantes da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib),

Na quarta-feira, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), anunciou que aceitou pedido de abertura de processo de impeachment contra Dilma, que declarou "indignação" pouco depois de a decisão ser anunciada.

Levy afirmou ainda que o processo de impeachment não deve levar a um novo rebaixamento da nota de crédito do Brasil junto às agências de classificação de risco.

"As agências querem saber qual a proposta do Brasil com crescimento, para cumprir contratos... Conforme o governo deixa claro qual é o compromisso com a meta de superávit do ano que vem, eu acho que a gente consegue afastar o risco de rebaixamento", disse.

BTG PACTUAL

O ministro afirmou ainda que o sistema financeiro brasileiro é extremamente forte e não é preciso ter receios em relação ao episódio do BTG Pactual, que teve seu agora ex-presidente e ex-controlador André Esteves preso na semana passada.

"Os novos controladores (do BTG) estão levando com seriedade o que precisam fazer. Dado o regimento do nosso sistema bancário... eu acho que não tem receio nenhum em relação ao evento", afirmou Levy.

(Por Natália Scalzaretto)

 
Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, durante evento em Brasília, em novembro. 04/11/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino