Ministro do petróleo do Irã culpa sobreoferta da Opep por preços baixos

domingo, 6 de dezembro de 2015 09:54 BRST
 

DUBAI (Reuters) - Os membros da Organização dos Estados Produtores de Petróleo (Opep) que ofertam grandes volumes da commodity no mercado são responsáveis pelos baixos preços, disse o ministro do petróleo do Irã neste domingo, dois dias após o cartel falhar em um acordo sobre um teto de produção.

A Opep, que responde por cerca de um terço da produção de petróleo do mundo, anunciou que não mudará sua política na sexta-feira, abrindo espaço para mais guerras de preço em um mercado com um pesado excesso de oferta.

Os preços caíram mais que pela metade nos últimos 18 meses, para uma fração do que a maior parte dos membros da Opep precisa para equilibrar seus orçamentos. O Brent, referência na Europa, e o petróleo nos EUA caíram cerca de 2 por cento depois da reunião.

"O mercado de petróleo antecipou a decisão da Opep, e os países com excesso de oferta são os responsáveis pelas consequências", disse Bijan Zanganeh, segundo a agência iraniana de notícias Shana.

"É sabido quais países atualmente têm um excesso de oferta e não há dúvidas sobre quem eles são", adicionou ele, lançando uma farpa velada sobre o maior exportador, a Arábia Saudita.

Antes da reunião de sexta-feira, Zanganeh havia pedido que membros da Opep respeitassem o auto-imposto teto de produção de 30 milhões de barris por dia para apoiar os preços, mas disse que não esperava que eles entrassem em acordo. O atual teto de produção da Opep é de 31 milhões de bpd.

"Havia dois pontos de vista na reunião. Um grupo pensava que era necessário um teto de produção que, além de estabilizar o mercado, também controlaria a atual sobreoferta", disse o ministro do Irã.

"Essa visão não teve apoio", ele disse.

Segundo Zanganeh, o Irã tem o direito de cobrar a retomada da fatia de mercado que Teerã perdeu devido às sanções sofridas a partir de meados de 2011, e planeja aumentar as exportações para cerca de 1 milhão de bpd assim que as sanções forem retiradas.

(Por Sam Wilkin)