BCE reduziu ambição de estímulos depois de encontrar oposição, dizem fontes

domingo, 6 de dezembro de 2015 12:20 BRST
 

FRANKFURT (Reuters) - Insinuações do presidente do Banco Central Europeu Mario Draghi antes do último encontro sobre juros na quinta-feira, de que a zona do euro poderia precisar de outra grande injeção de recursos, foram um tiro pela culatra, endurecendo a posição de banqueiros centrais mais conservadores que o criticaram por levantar expectativas muito altas, disseram fontes.

O presidente do BCE e seu economista-chefe Peter Praet alimentaram expectativas com discursos moderados nas semanas antes do encontro, mas o conselho de governadores do banco concluiu que os mercados deveriam ser desapontados desta vez devido à melhoria do cenário econômico e novas projeções de inflação, não tão ruins quando se temia, segundo as fontes.

Uma esperada alta na taxa de juros dos Estados Unidos pelo Federal Reserve também foi um fator que pesou na decisão, embora em menor extensão, uma vez que os formuladores de política temiam que um movimento maior do BCE poderia enfraquecer mais o euro e possivelmente forçar o Fed a atrasar sua própria ação sobre os juros para prevenir uma divergência tão rápida de política entre os dois maiores bancos centrais do mundo.

O BCE cortou sua taxa de depósitos na quinta-feira e estendeu sua compra mensal de ativos por seis meses para impulsionar uma inflação teimosamente baixa e apoiar o crescimento. Mas os movimentos foram considerados pelo mercado o mínimo possível diante dos sinais anteriores emitidos pelo banco.

Uma fonte com conhecimento direto da situação interpretou a posição pública de Draghi antes da reunião como uma tentativa de pressionar o comitê de governadores a decidir por uma ação maior.

"Draghi levantou expectativas muito altas, de propósito, e tentou encurralar o conselho de governadores", disse a fonte. "Isso causou problemas e ele foi criticado por isso em privado por diversos governadores".

Diferentemente do ano passado, quando opositores do relaxamento monetário fizeram pronunciamentos públicos antes da decisão, os favoráveis a menos estímulos atuaram nos bastidores dessa vez.

Os opositores trabalharam para reduzir propostas que saíram das comissões do BCE que preparam as decisões.

O mercado esperava um aumento de 25 por cento nas compras mensais de ativos e até mesmo uma possível redução ainda maior nas taxas. Opções mais radical sob discussão incluíam a compra de dívida corporativa ou um corte nas taxas de depósito que puniria bancos que deixam muito dinheiro no BCE, disseram fontes à Reuters mais cedo.   Continuação...