Dólar segue exterior e sobe quase 1%, em direção a R$3,80, de olho em Fed e política local

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015 14:19 BRST
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar voltou a subir nesta segunda-feira, cerca de 1 por cento e em direção a 3,80 reais, acompanhando o fortalecimento da moeda norte-americana no exterior a pouco mais de uma semana da reunião do Federal Reserve, banco central norte-americano, e pressionado pelo tombo dos preços do petróleo.

Até o início da tarde, a moeda dos Estados Unidos foi negociada praticamente estável diante da cautela dos investidores com a tramitação do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff no Congresso Nacional.

Às 14:17, o dólar avançava 0,92 por cento, a 3,7733 reais na venda, após acumular baixa de 3,80 por cento nas quatro sessões anteriores. Nesta sessão, a moeda norte-americana chegou a 3,7290 reais na mínima e 3,7794 reais na máxima.

"O dólar está em alta lá fora, é natural que o mercado faça algum ajuste", disse o operador da corretora Spinelli José Carlos Amado. "Na semana passada (o dólar) tinha caído muito e temos Fed em poucos dias".

Nos mercados externos, o dólar subia consistentemente contra as principais moedas emergentes, após a queda dos preços do petróleo às mínimas em quase sete anos desencadear nova rodada de aversão a ativos de risco. Além disso, investidores se preparavam para a reunião do Fed da semana que vem, que deve resultar no primeiro aumento de juros em quase uma década.

A elevação dos juros norte-americanos pode atrair para maior economia do mundo recursos aplicados no Brasil. No entanto, alguns investidores já dão esse cenário como certeza e vêm se concentrando na perspectiva de que altas subsequentes sejam feitas de forma gradual pelo Fed.

Outro foco importante é o processo de impeachment contra Dilma. A comissão especial da Câmara dos Deputados encarregada de analisar o pedido de abertura de impeachment será formada nesta segunda-feira e ratificada em sessão do plenário.

Alguns operadores apostavam que eventual mudança no governo poderia facilitar o reequilíbrio da economia brasileira no médio prazo. Muitos ressaltavam, porém, que a incerteza política pode paralisar o ajuste fiscal e até levar o país a perder o selo de bom pagador internacional por outras agências de classificação de risco além da Standard & Poor's.   Continuação...