Goldman Sachs corta preço-alvo de BTG Pactual citando incertezas; ações caem

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015 16:31 BRST
 

Por Guillermo Parra-Bernal e Tatiana Bautzer

SÃO PAULO (Reuters) - O Goldman Sachs cortou nesta segunda-feira o preço-alvo das units do BTG Pactual, citando perspectiva incerta para a liquidez e disponibilidade de financiamento da instituição, após a prisão do seu ex-acionista controlador André Esteves.

Em relatório a clientes, analistas liderados por Carlos Macedo reduziram seu preço-alvo para as units do banco para 23,70 reais, ante 30,20 reais. A recomendação foi mantida em "neutra".

Pelos cálculos do Goldman, o BTG Pactual tem cerca de 1,6 bilhão de reais em vencimentos líquidos até o fim do ano, valor que pode subir para até 9 bilhões de reais até setembro próximo se o grupo não conseguir rolar vencimentos.

O aumento gradual da diferença entre ativos ilíquidos e o patrimônio significa que o banco terá que em breve dispor de ativos para proteger o caixa, segundo trecho do relatório.

"A perspectiva de curto prazo continua incerta, com preocupações sobre a posição de liquidez do BTG Pactual", escreveram Macedo e sua equipe em nota a clientes.

"Nesse estágio, a perspectiva para suas finanças para além do terceiro trimestre é incerta devido a potenciais rupturas para o negócio".

A unit do BTG Pactual na Bovespa recuavam quase 9 por cento nesta tarde, elevando para mais de 40 por cento a desvalorização desde que Esteves foi preso por suposta tentativa de obstruir investigação da operação Lava Jato, no último dia 25 de novembro.

O BTG Pactual está lutando contra um mercado hostil, com sucessivos resgates feitos por clientes. Os sete principais sócios do grupo, que substituíram Esteves na semana passada, estão se apressando para vender carteiras de crédito, subsidiárias e investimentos de private equity para levantar recursos.   Continuação...