ENTREVISTA-Safra de café do Brasil pode crescer cerca de 15% em 2016, diz CNC

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015 18:02 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil, maior produtor e exportador global de café, poderá colher entre 47 milhões e 49 milhões de sacas de 60 kg no ano que vem, um crescimento de até cerca de 15 por cento ante a colheita de 2015, se o tempo continuar colaborando nos próximos meses, disse o presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), Silas Brasileiro.

"Se não tivesse tido a estiagem no Espírito Santo, poderíamos ter uma safra bem maior", afirmou à Reuters Silas Brasileiro, em referência à estiagem que atingiu o Estado que é o principal produtor de café robusta do Brasil.

"Minas Gerais é que está compensando", acrescentou Brasileiro, citando chuvas favoráveis no Estado que responde por cerca de 50 por cento da safra nacional, com produção predominantemente de arábica.

O presidente do CNC, órgão que representa os produtores, estimou que a safra de café arábica do país poderá atingir em 2016 até 37 milhões de sacas, ante 31,3 milhões apontados em 2015 pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), enquanto a de robusta ficaria em torno de 11 milhões de sacas, ante 10,9 milhões de sacas previstas pela Conab para este ano, um período que já teve a produtividade afetada pelo tempo adverso.

Ainda assim, a produção de café do Brasil voltaria a crescer após três quedas consecutivas, com safras marcadas por problemas climáticos.

"Verificamos que a primeira florada (para 2016) foi realmente muito boa, ela fechou a roseta... depois olhamos o pegamento da florada. Ele é muito importante, ele aborta quando faltam chuvas, mas tivemos quantidade boa (de chuvas) para bom pegamento", explicou Brasileiro.

"E aí chega em janeiro e fevereiro, tendo chuvas normais, confirmamos esses números."

Com relação a previsões do mercado que apontam uma safra de cerca de 60 milhões de sacas, Brasileiro disse que isso é impossível, considerando que os cafezais de importantes áreas produtores vêm de anos com problemas decorrentes do déficit hídrico.

"É totalmente descartado. Não tem a possibilidade de, após dois anos de frustração, lavouras estressadas terem recuperação imediata. Com 60 milhões de toneladas, elas estariam produzindo 40 por cento a mais, é impossível", afirmou.   Continuação...