Dólar opera quase estável ante real após carta de Temer a Dilma

terça-feira, 8 de dezembro de 2015 10:23 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar operava perto da estabilidade frente ao real nesta terça-feira, após o vice-presidente Michel Temer enviar à presidente Dilma Rousseff carta apontando o que chamou de desconfiança do governo em relação a ele e ao PMDB, mas dados fracos sobre a economia chinesa evitavam recuos mais fortes.

Embora Temer não tenha proposto explicitamente o rompimento com Dilma, operadores entendem que não há outra alternativa após a divulgação da carta. Eles acreditam que a notícia dá força ao lado que defende o impeachment contra a presidente, perspectiva que tem sido, de maneira geral, bem recebida pelo mercado.

Às 10:16, o dólar recuava 0,02 por cento, a 3,7582 reais na venda.

"Conforme vai se distanciando o PMDB do governo, vai ficando mais forte a hipótese do impeachment", disse o operador de câmbio da corretora B&T Marcos Trabbold.

Temer destacou na carta à presidente "fatos reveladores da desconfiança que o governo tem em relação a ele e ao PMDB", segundo a Vice-Presidência da República.

A notícia vem no momento em que tramita no Congresso Nacional o processo de abertura de impeachent contra Dilma. Foi adiada para esta sessão a eleição da comissão especial da Câmara dos Deputados que analisará o tema, contrariando o governo, que quer que a matéria seja votada o mais rápido possível.

Muitos operadores acreditam que eventual mudança no governo poderia facilitar a recuperação da economia brasileira. Alguns ressaltam, porém, que o processo pode paralisar o ajuste fiscal e provocar rebaixamentos da nota soberana do país.

"A reação (à perspectiva de impeachment contra Dilma) agora é positiva, mas é preciso esperar esse processo todo se desenhar para entender como o mercado vai ser afetado", acrescentou Trabbold, ressaltando que a tendência é que o mercado siga volátil.

Nos mercados externos, a divisa norte-americana fortalecia contra as principais moedas emergentes, após as exportações da China caírem mais que o esperado em novembro, levando investidores a evitar ativos de maior risco.   Continuação...