Dólar segue exterior e passa a subir mais de 1% ante real, com baixo volume

terça-feira, 8 de dezembro de 2015 12:57 BRST
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar acelerou fortemente a alta, a mais de 1 por cento sobre o real nesta terça-feira, refletindo o ambiente de aversão a risco nos mercados internacionais diante de dados fracos sobre a economia da China e da queda dos preços do petróleo, movimento exacerbado pelo baixo volume de negócios.

Às 12:08, o dólar avançava 1,44 por cento, a 3,8130 reais na venda, após atingir 3,8201 reais na máxima da sessão. Investidores ressaltaram especialmente o avanço do dólar em relação ao peso mexicano, que foi bastante afetado pelo tombo do petróleo no fim da manhã.

A divisa norte-americana chegou a recuar a 3,7446 reais na mínima do dia, com investidores entendendo que as tensões entre o vice-presidente Michel Temer e a presidente Dilma Rousseff dariam força à campanha pelo impeachment.

"A queda (do dólar) na abertura aconteceu por fatores políticos, mas o cenário externo piorou tanto ao longo da manhã que não deu mais para ignorar", disse o operador de uma corretora internacional, sob condição de anonimato, ressaltando que o quadro de incertezas limitava a liquidez e deixava o mercado mais sensível.

Dados fracos sobre o desempenho comercial da China em novembro alimentaram preocupações com a desaceleração da segunda maior economia do mundo, levando investidores a evitar ativos de maior risco.

As preocupações ganharam mais força no fim da manhã após os preços do petróleo passarem a cair, com o contrato norte-americano recuando abaixo de 37 dólares o barril pela primeira vez desde 2009.

A queda da commodity serviu de gatilho para que o dólar revertesse a queda sobre o real, vista no início dos negócios em reação à carta de Temer a Dilma, destacando "fatos reveladores da desconfiança que o governo tem em relação a ele e ao PMDB".

Embora Temer não tenha proposto explicitamente o rompimento com Dilma, operadores entendem que não há outra alternativa. Eles acreditam que a notícia dá força ao lado que defende o impeachment contra a presidente, perspectiva que tem sido, de maneira geral, bem recebida pelo mercado.   Continuação...

 
Nota de dólar vista em casa de câmbio no Rio de Janeiro.  24/08/2015   REUTERS/Ricardo Moraes