FGC libera R$2 bi ao BTG Pactual de linha de R$6 bi

terça-feira, 8 de dezembro de 2015 15:03 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) liberou nesta terça-feira 2 bilhões de reais ao BTG Pactual, parte de uma linha total de 6 bilhões de reais que deve ser suficiente para que o banco honre seus vencimentos até a metade de 2016, disse um diretor do fundo.

"Concordamos, o FGC e o BTG Pactual, que não havia necessidade de mais", disse o diretor jurídico do FGC, Caetano de Vasconcelos Neto, durante evento do fundo, referindo-se à linha total de 6 bilhões de reais.

O BTG Pactual vem sofrendo diariamente forte volume de resgates de clientes desde 25 de novembro, quando o banqueiro André Esteves, agora ex-presidente e ex-controlador do grupo, foi preso acusado de suposta tentativa de obstruir a operação Lava Jato, que investiga esquema bilionário de corrupção envolvendo a Petrobras.

O BTG Pactual e o FGC assinaram memorando de entendimentos sobre a linha de crédito na última sexta-feira, com os recursos ficando disponíveis ao banco a partir daquela data.

Em carta naquele mesmo dia a clientes, o chairman e um dos principais sócios do BTG Pactual, Persio Arida, disse que o banco estava confortável com sua liquidez após a obtenção da linha com o FGC, mas que continuaria a buscar vender ativos.

O FGC é uma entidade privada, sem fins lucrativos, que administra o mecanismo de proteção aos depositantes e investidores no âmbito do Sistema Financeiro Nacional. O objetivo do FGC é contribuir para a manutenção da estabilidade do sistema financeiro do país e prevenir crises bancárias sistêmicas.

Uma tranche de 2 bilhões de reais da linha do FGC foi liberada nesta terça e, de acordo com Vasconcelos Neto, não há pré-condições nem prazo para liberação do restante dos recursos pelo fundo ao BTG Pactual. O patrimônio total do FGC é superior a 47 bilhões de reais.

Na segunda-feira, Esteves foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ao Supremo Tribunal Federal (STF) sob a acusação de impedir investigação envolvendo organização criminosa, disse à Reuters uma fonte com conhecimento do assunto.

O caso corre em segredo de Justiça e há temor de que, além de Esteves, o banco de investimentos seja mencionado pela PGR.   Continuação...