BTG toma R$2 bi de fundo garantidor e avança na venda de participações em bolsa

terça-feira, 8 de dezembro de 2015 16:45 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - O BTG Pactual já tomou 2 bilhões de reais do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), enquanto avança na venda de participações que o banco e seus fundos possuem em empresas listadas em bolsa para fazer frente à necessidade de liquidez, devido aos saques de recursos de clientes.

O banco de investimentos, que enfrenta crise de confiança e de liquidez desde a prisão de seu agora ex-presidente e ex-controlador André Esteves, lançou mão de um terço de uma linha total de 6 bilhões de reais disponibilizada pelo FGC na última sexta-feira, informou o fundo nesta terça-feira.

Em outra frente, a corretora do grupo marcou para quinta-feira, dia 10, leilão na Bovespa para venda de 59 milhões de ações da empresa de imóveis comerciais BR Properties, o equivalente a quase 20 por cento do capital da companhia, ao preço de 7,50 reais por papel.

O nome do acionista vendedor no leilão, que pode movimentar 442,5 milhões de reais, não foi revelado, mas fonte a par do assunto disse à Reuters que se trata do banco BTG Pactual.

A fatia na Equatorial Energia, detida por meio de fundos de investimentos administrados pelo BTG Pactual, foi reduzida para menos de 5 por cento, segundo comunicado ao mercado nesta terça, sem mencionar a quantidade de ações vendidas. Na Itália, o BTG reduziu sua fatia na Banca Monte Dei Paschi de 1,9 para menos de 1 por cento, segundo uma outra fonte.

Desde 25 de novembro, quando Esteves foi preso acusado de tentar obstruir a operação Lava Jato, o BTG Pactual vem sofrendo diariamente forte volume de resgates de clientes. Nos quatro últimos dias úteis do mês passado, os resgates superaram as aplicações em 12,2 bilhões de reais, segundo dados da Anbima, que representa instituições do mercado financeiro.

O chairman e um dos principais sócios do grupo financeiro, Persio Arida, afirmou no último dia 2 que o grupo sairia de ativos considerados não estratégicos para se concentrar no negócio bancário e reforçar sua liquidez.

Para o diretor jurídico do FGC, Caetano de Vasconcelos Neto, a linha total de 6 bilhões de reais disponível ao BTG Pactual deve ser suficiente para que o banco honre seus vencimentos até a metade de 2016.

Vasconcelos Neto disse que não há pré-condições nem prazo para liberação do restante dos recursos pelo FGC ao banco.   Continuação...

 
Ex-CEO e ex-controlador do BTG Pactual, André Esteves, durante participação do encontro anual World Economic Forum, em Davos, na Suiça REUTERS/Denis Balibouse