Indústria da construção civil do Brasil vê retomada só em 2017

terça-feira, 8 de dezembro de 2015 17:55 BRST
 

Por Juliana Schincariol

RIO DE JANEIRO (Reuters) - As perspectivas de manutenção no próximo ano de baixa confiança do consumidor, aumento da inflação e desemprego somados ao recuo da economia e à crise política deixam o setor imobiliário vislumbrando alguma recuperação apenas a partir de 2017.

Estimativa da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) aponta que o volume de imóveis residenciais a espera de comprador no Brasil era de 96 mil até o final de setembro, mesmo nível de dezembro de 2014, apesar dos esforços do setor para reduzir esse inventário via corte de lançamentos e promoções ao longo de todo 2015.

Segundo as contas da entidade, o tempo necessário para vender todos estes imóveis encalhados é de 13 meses.

"Não temos ainda uma cenário muito claro para o ano que vem porque o país vive um momento de muita instabilidade política e isso acaba se refletindo na economia", disse o diretor da Abrainc, Luiz Fernando Moura.

Ele, porém, avalia que pode haver algum espaço para recuperação de lançamentos no próximo ano depois de um 2015 inteiro em que o setor se focou em redução de estoques.

Refletindo o pessimismo do setor, nesta terça-feira o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) estimou que o Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil em 2016 vai encolher 5 por cento após retração de 8 por cento este ano.

"A demanda existe, ela está hibernada. Tem muita gente que quer ter um imóvel e tem medo de comprar hoje", disse o vice-presidente do (SindusCon-SP), Odair Senra.

O engenheiro Thiago Trezza Borges está incluído nesta demanda reprimida. Ele adiou novamente a compra de um apartamento no Rio de Janeiro, o que vem fazendo desde 2007, devido aos preços ainda altos, que não se enquadram ao teto do financiamento pela Caixa Econômica Federal.   Continuação...