IPCA sobe 1,01% em novembro e supera 10% em 12 meses pela 1ª vez desde 2003

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015 10:56 BRST
 

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A inflação oficial ao consumidor brasileiro superou dois dígitos pela primeira vez em 12 anos no mês passado, colocando ainda mais pressão para o Banco Central voltar a subir os juros básicos, mesmo em meio ao cenário de recessão da economia.

Em novembro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 10,48 por cento em 12 meses, maior desde 2003 (11,02 por cento), informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira.

O resultado está muito acima do teto da meta do governo, de 4,5 por cento com tolerância de 2 pontos percentuais para mais ou menos. Em outubro, o avanço acumulado havia sido de 9,93 por cento.

Só em novembro, o IPCA saltou 1,01 por cento, após avançar 0,82 por cento em outubro, acima das expectativas. Sob a pressão da alta dos preços de alimentos e de combustíveis, este é o nível mais elevado da inflação desde março (1,32 por cento) e o maior patamar para o mês em 13 anos (3,02 por cento).

"É um ano de pressão de custos de várias causas. Tivemos aumento forte do câmbio, da gasolina e do diesel. Quando se ouve falar em inflação alta, os formadores de preço acabam reajustando, mas ainda estamos longe ainda do que se viu na época da hiperinflação", disse a economista do IBGE Eulina Nunes dos Santos.

Pesquisa da Reuters indicava alta mensal de 0,95 por cento em novembro, chegando em 12 meses a 10,41 por cento.

ALIMENTOS E COMBUSTÍVEIS   Continuação...

 
Entrada de supermercado do Rio de Janeiro. O grupo Alimentação e Bebidas foi o que mais subiu em novembro dentro do IPCA, com alta de 1,83 por cento, tendo o maior impacto, de 0,46 ponto percentual. 24/09/2015 REUTERS/Pilar Olivares