Brasil arrastará setor aéreo na América Latina para prejuízo de US$300 mi em 2015, diz Iata

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015 17:14 BRST
 

SÃO PAULO/GENEBRA (Reuters) - O agravamento da crise econômica no Brasil deve contribuir para que o desempenho financeiro das empresas aéreas na América Latina seja o pior entre todas as regiões, ao lado da África, com perdas de 300 milhões de dólares este ano, afirmou nesta quinta-feira a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata).

"O desempenho de empresas aéreas na América Latina está fraco com a piora da crise econômica no Brasil, preços de commodities fracos e flutuações cambiais adversas", disse a entidade em comunicado.

O desempenho da América Latina se apequena ante o avanço do setor globalmente. A Iata, que representa quase 260 companhias responsáveis por 83 por cento do tráfego aéreo global, espera que o lucro líquido do setor globalmente chegue ao nível recorde de 36,3 bilhões de dólares este ano, ante previsão anterior de 33 bilhões de dólares.

Segundo a entidade com sede da Suíça, mais da metade desse resultado virá de companhias na América do Norte. A expectativa é que o lucro líquido das companhias da norte-americanas chegue a 19,4 bilhões de dólares este ano e das empresas europeias a 6,9 bilhões de dólares. As empresas africanas devem registrar prejuízo de cerca de 300 milhões de dólares neste ano, estimou a entidade.

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) previu no fim de setembro que as companhias do país fechariam 2015 com déficit de caixa de 7,3 bilhões de reais, com os custos disparando 24 por cento sobre 2014 e as receitas avançando apenas 3,7 por cento, devido à desaceleração da demanda e ao forte aumento dos gastos por conta da disparada do dólar.

Em 2016, as companhias da América Latina devem se recuperar e fechar o ano com lucro de 400 milhões de dólares, previu a Iata. A expectativa é que o tráfego aéreo na região cresça 5,6 por cento em 2015 e 7,5 por cento em 2016.

O prejuízo por passageiro, de 1,05 dólar em 2015, deve passar a lucro de 1,26 dólar em 2016 na América Latina.

Segundo a Iata, a eleição parlamentar na Venezuela e presidencial na Argentina devem trazer um ambiente mais amigável para os negócios das empresas aéreas no ano que vem, impulsionando o setor na região.

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