Dólar sobe 1,7% sobre o real, após Moody's ameaçar rebaixar Brasil

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015 17:14 BRST
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em alta de 1,7 por cento, voltando a 3,80 reais nesta quinta-feira, reagindo à decisão da Moody's de ameaçar tirar o selo de bom pagador internacional do Brasil, mas operadores ressaltaram que a pressão não deve se estender porque muitos já trabalham com o cenário de perda do grau de investimento nos próximos meses.

O dólar avançou 1,70 por cento, a 3,8005 reais na venda, chegando a 3,8117 reais na máxima do dia.

"A realidade é que a situação doméstica continua bastante preocupante, seja no quesito econômico ou político, e a decisão da Moody's serviu como um gatilho para o mercado realizar um pouco", disse o operador da corretora Intercam Glauber Romano.

Na véspera, a Moody's colocou o rating "Baa3" do Brasil em revisão para rebaixamento, o que significa que uma ação sobre a nota pode acontecer em até 90 dias. Se o corte na classificação se concretizar, o país perderia o grau de investimento por duas importantes agências, obrigando muitos fundos a vender os ativos brasileiros que detêm.

A visão dos operadores é que o dólar pode até sofrer algum estresse no curto prazo, mas não deve voltar a 4 reais em reação ao rebaixamento.

"Eu diria que o mercado já deu conta de boa parte do ajuste que precisa ser feito para incorporar o downgrade", disse um operador de uma gestora de recursos internacional.

Ele afirmou que não é incomum que o mercado se antecipe ao movimento das agências de classificação de risco, lembrando que o dólar vem sendo negociado perto dos níveis em que se encontrava antes de a Standard & Poor's rebaixar o país para o grau especulativo, em setembro.

"Talvez o downgrade venha um pouco mais cedo do que alguns esperavam, mas isso está longe de ser algo que muda o jogo", acrescentou.   Continuação...