Acordo Renault-Nissan deixa investidores insatisfeitos

sábado, 12 de dezembro de 2015 13:55 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - A aliança Renault-Nissan definiu uma disputa de poder de oito meses com o governo francês na sexta-feira, com um equilíbrio do acordo regulando a influência estatal na Renault com controle enfraquecido sobre sua afiliada japonesa.

O acordo, que ofereceu à Nissan garantias contra interferência futura da Renault ou do maior acionista, o Estado francês, veio como alívio para a equipe da Renault, enquanto decepcionou alguns investidores que esperavam mudanças maiores para a aliança de 16 anos.

A tensão vinha crescendo desde abril, quando o ministro da Economia Emmanuel Macron temporariamente elevou a fatia da França para garantir aumento permanente do direito de voto - e influência suficiente para vetar decisões que pudessem por em risco empregos domésticos ou outros interesses nacionais.

Esse movimento gerou grande polêmica na Nissan, 43,4 por cento detida pela Renault, e enfureceu o presidente-executivo Carlos Ghosn, que liderou as montadoras para a última década.

As ações da Renault caíram na sexta-feira após seu conselho de administração aprovar dois novos contratos para limitar o aumento do peso do governo francês em votos não estratégicos e efetivamente abandonar direito da Renault para controlara estratégia da Nissan.

A Nissan disse que estava "muito satisfeita" com o acordo, que permite que ela mude sua fatia na Renault para 25 por cento -ou além- no caso de ingerência da Renault ou se Paris violar regras.

A mudança no equilíbrio de poder reflete a realidade. Desde o seu salvamento 1999 pela Renault, a Nissan se sobrepôs à sua dona francesa e agora lidera o mercado em outras áreas-chave de engenharia e, dentro de uma aliança agora classificada como a quarta maior montadora do mundo em vendas combinadas.

(Reportagem de Laurence Frost e Gilles Guillaume)