December 14, 2015 / 5:25 PM / 2 years ago

MPF denuncia José Carlos Bumlai e mais dez na Lava Jato

4 Min, DE LEITURA

Pecuarista José Carlos Bumlai em depoimento em CPI do Congresso Nacional. 01/12/2015Ueslei Marcelino

(Reuters) - O Ministério Público Federal do Paraná anunciou nesta segunda-feira que apresentou denúncia no âmbito da operação Lava Jato contra o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e outras dez pessoas por crimes como lavagem de dinheiro, corrupção e gestão fraudulenta.

Entre os demais denunciados estão os ex-diretores da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró e Jorge Zelada, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano.

Segundo o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Bumlai obteve um empréstimo com o banco Schahin e parte dessa quantia teria sido destinada ao PT.

"José Carlos Bumlai não era mais que uma pessoa que atuou como operador de um partido político, operador do Partido dos Trabalhadores", disse o procurador em entrevista coletiva.

"O valor da corrupção pode ser expresso como 18 milhões de reais nominais, ou 49,6 milhões de reais reais (corrigidos pela inflação), (e) mais 1 milhão de dólares", acrescentou.

De acordo com Dallagnol, o pagamento do empréstimo que Bumlai teria pego para favorecer o PT foi feito por meio da concessão para o grupo Schahin de um contrato da Petrobras.

"A assinatura do contrato era um ato de ofício da Petrobras que estava sendo vendido em troca da quitação daquele empréstimo", disse Dallagnol.

"Ou seja, o Partido dos Trabalhadores e o Bumlai tinham uma dívida com a Schahin e o pagamento dessa dívida se daria mediante a concessão de um ato de ofício da Petrobras que favoreceria o Grupo Schahin, feito de modo altamente irregular", acrescentou.

O valor de ressarcimento mínimo pedido foi de 53,5 milhões de reais.

A defesa de Bumlai disse ter tomado conhecimento de que a denúncia contra o pecuarista seria oferecida, mas não sobre o seu teor, quando a Polícia Federal dava início ao depoimento do pecuarista nesta segunda-feira.

"Não é nada usual e pode ser chamada de temerária a apresentação de uma acusação formal contra quem não foi ouvido, especialmente quando novos esclarecimentos poderiam contribuir para o esclarecimento da verdade", disse o advogado de Bumlai Arnaldo Malheiros Filho à Reuters, por e-mail.

Bumlai foi preso em novembro em etapa da Lava Jato que investiga a concessão de empréstimos milionários em benefício de políticos e contratação de navio sonda pela Petrobras. A operação ganhou o nome Passe Livre em referência ao suposto acesso livre que o pecuarista teria no Palácio Planalto durante o governo do ex-presidente Lula, segundo a PF.

Vaccari também está preso e já foi condenado em primeira instância em outra ação penal ligada à Lava Jato.

O PT tem negado as acusações envolvendo o partido e defendido seu ex-tesoureiro. O PT afirma, ainda, que todas as doações que recebeu estiveram de acordo com a lei e foram declaradas à Justiça Eleitoral.

Caso a denúncia contra Bumlai e as outras 10 pessoas seja aceita, o grupo se tornará réu na Justiça em ação penal ligada à Lava Jato, que investiga um bilionário esquema de corrupção na Petrobras.

Reportagem adicional de Caroline Stauffer

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