Tombini repete que Brasil não está sob dominância fiscal

terça-feira, 15 de dezembro de 2015 11:43 BRST
 

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, reforçou nesta terça-feira que o Brasil não está vivendo uma situação de dominância fiscal, em referência à avaliação de que a política monetária estaria perdendo sua eficácia diante dos desarranjos nas contas públicas.

Ao participar de audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Tombini salientou que o BC detém instrumentos necessários para fazer com que sua determinação e perseverança se traduzam em redução da inflação, com mecanismos que "estão e continuarão operantes".

"É importante ter claro que o Brasil não está numa situação de dominância fiscal", disse Tombini.

"De um lado, os desequilíbrios fiscais estão sendo corrigidos por um importante processo de consolidação fiscal. De outro lado, os mecanismos de transmissão da política monetária estão em pleno funcionamento, e o Banco Central continuará a guiar suas decisões de política monetária de acordo com os objetivos do sistema de metas para a inflação", completou.

Na semana passada, o presidente do BC já havia defendido esse ponto de vista, quando ressaltou que o atraso no ajuste das contas públicas contribuiu para postergar a convergência da inflação à meta para 2017, ante o alvo de 2016 buscado até então.

Tombini repetiu que o BC levará a inflação para dentro dos limites de tolerância no ano que vem, para que possa então convergir para o centro da meta em 2017. A meta central de inflação para 2016 e 2017 é de 4,5 por cento pelo IPCA, mas com margem de 2 pontos e de 1,5 ponto percentual, respectivamente.

Os posicionamentos do BC vêm fazendo agentes econômicos redobrarem a aposta numa elevação da Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em janeiro. A taxa básica de juros segue em 14,25 por cento ao ano desde julho.

Nesta terça, Tombini também fez um apelo pelos ajustes na economia, afirmando que um atraso em sua implementação ampliará a queda da atividade econômica, podendo no limite comprometer fundamentos ainda sólidos da economia brasileira.

Ele disse ainda que o estabelecimento de uma meta de resultado primário superavitária e crível é um "passo fundamental" para redução das incertezas fiscais.   Continuação...

 
Presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, durante evento no Peru.  08/10/2015    REUTERS/Paco Chuquiure