15 de Dezembro de 2015 / às 22:35 / 2 anos atrás

Fed inicia reunião para colocar fim à política da era de crise

WASHINGTON (Reuters) - Oito anos depois que uma devastadora recessão iniciou uma era de afrouxamento da política monetária, o Federal Reserve começou nesta terça-feira a reunião de dois dias que deve tomar o sentido oposto e elevar a taxa de juros em uma economia caminhando para a normalidade.

A decisão será divulgada na quarta-feira, às 17h (horário de Brasília), com os mercados preparados para um aumento inicial de 0,25 ponto percentual, que levaria a taxa de juros a uma faixa entre 0,25 por cento e 0,50 por cento. A chair do Fed, Janet Yellen, dará uma entrevista à imprensa na sequência da decisão para detalhar o comunicado de política monetária.

Nesta terça-feira, os mercados agiram de forma positiva ao possível movimento do Fed. As ações norte-americanas subiram cerca de 1 por cento, os rendimentos dos títulos públicos avançaram e analistas disseram que, após semanas de preparação, uma decisão surpresa de não aumentar os juros seria a escolha com potencial de mais turbulência.

"Dada a força dos sinais que foram enviados, seria destruidor para a credibilidade não avançar", disse o ex-secretário do Tesouro dos EUA Larry Summers, um cético quanto à necessidade de aumentar juros agora, em um discurso publicado em seu website.

A alta de juros vai afastar o Fed de grandes bancos centrais em Tóquio, Frankfurt, Pequim e outros lugares, que têm sinalizado que vão agir de forma cautelosa para apoiar uma recuperação.

Os mercados e analistas vão se concentrar na linguagem que o Fed usar em seu comunicado para justificar a alta de juros e descrever como avaliará o momento para uma segunda elevação e os passos seguintes.

Analistas da TD Securities disseram esperar que o comunicado e as projeções econômicas atualizadas dos diretores do Fed tenham uma inclinação 'hawkish' (mais dura), que enfatize que cada reunião está sobre a mesa para um possível aumento.

A partir de setembro, diretores do Fed passaram a esperar pelo menos quatro altas de juros no ano que vem.

"O comunicado... deve ser relativamente hawkish. O Fed vai buscar projetar confiança", disseram os analistas.

Nos dias seguintes, o Fed terá que provar que um novo conjunto de ferramentas para gestão de taxas de juros vai funcionar como esperado, ver como juros mais altos nos EUA vão afetar as condições domésticas e globais, e esperar que a fraca demanda mundial e preços de commodities não levem a uma rodada de deflação, que forçaria o Fed a reverter seu curso.

Para ser considerado um sucesso, o Fed precisa que o aumento de juros nos EUA seja acompanhando, em 2016, pela manutenção do crescimento da economia dos EUA e do desemprego baixo e, talvez o que gere mais dúvida, uma alta na inflação.

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