Governo reduz meta de superávit fiscal de 2016 apesar de oposição de Levy

terça-feira, 15 de dezembro de 2015 22:33 BRST
 

Por Marcela Ayres e Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - O relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2016, deputado Ricardo Teobaldo (PMB-PE), afirmou nesta terça-feira que vai alterar, a pedido do governo, a meta de superávit primário do setor público consolidado para cerca de 0,5 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) e permitir que objetivo seja zerado com abatimentos.

A alteração ocorre apesar da oposição do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que se manifestou abertamente e por várias vezes contra a mudança e até ameaçou, nos bastidores, deixar o cargo caso a meta fosse alterada. Levy defendia a meta fossa mantida em 0,7 por cento do PIB. [nL1N13Z2P9]

Entre as deduções possíveis, que podem levar o país a não fazer economia no próximo ano para pagamento da dívida, estão os gastos no Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) e com o combate a endemias, disse Teobaldo à Reuters, por telefone.

A decisão do governo de mexer na meta de 2016 foi tomada pela presidente Dilma Rousseff como forma de evitar o anunciado corte de 10 bilhões de reais no orçamento do programa Bolsa Família apresentado pelo relator do Orçamento, deputado Ricardo Barros(PP-PR).

Além disso, a base de apoio do governo no Congresso cobrava uma meta menor de superávit primário, argumentando que 0,7 por cento não é factível e teria de ser alterada depois.

“O governo não está em condições de comprar uma briga com o Congresso nesse momento, à beira de um processo de impeachment”, disse à Reuters um fonte palaciana.

Pela manhã, ao chegar a um evento em Brasília, Levy reforçou a defesa da meta de 0,7 por cento do PIB e disse que uma redução seria "inconveniente".

"Acho ela (a redução da meta) um inconveniente e um equívoco essa mistura da meta por causa do Bolsa Família. A meta é a meta, Bolsa Família é Bolsa Família", disse Levy a jornalistas ao chegar a um evento. [nL1N1440LU]   Continuação...

 
Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, durante seminário em Brasília 3/11/ 2015.  REUTERS/Ueslei Marcelino