Fitch tira selo de bom pagador do Brasil e indica que pode piorar, diante de recessão

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015 14:59 BRST
 

Por Patrícia Duarte

SÃO PAULO (Reuters) - A agência de classificação de risco Fitch retirou nesta quarta-feira o selo de bom pagador do Brasil citando a recessão mais profunda do que o antecipado, dificuldade no quadro fiscal e aumento das incertezas políticas, e indicou que pode levar o país ainda mais fundo no território especulativo.

A agência cortou o rating do país em um degrau, de "BBB-" para "BB+", com perspectiva negativa e foi a segunda de grande porte a tirar o grau de investimento do país, que deve levar a saídas de investidores. O movimento era esperado por especialistas e até por boa parte do governo, mas evidencia o que muitos chamam de desorganização e ausência de uma agenda para o país.

"É um duplo golpe porque tem o rebaixamento e a perspectiva negativa... O país está sem uma agenda econômica e não está conseguindo reagir a nada. Ter selo de grau de investimento pressupõe país mais arrumado do que o que a gente é hoje", afirmou a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif.

A decisão da Fitch veio um dia depois de o governo da presidente Dilma Rousseff ter alterado a meta de superávit primário para 2016, permitindo no limite zerar a economia para pagamento de juros da dívida, aumentando ainda mais a desconfiança em relação às contas públicas do país.

"O rebaixamento do Brasil reflete recessão mais profunda da economia do que o previsto antes, a contínua evolução adversa fiscal e o aumento da incerteza política, que poderiam prejudicar ainda mais a capacidade do governo de implementar efetivamente as medidas fiscais para estabilizar o crescente endividamento", explicou a Fitch por meio de nota.

"A perspectiva negativa permaneceu com a incerteza e deterioração dos riscos ligados à evolução da situação econômica, fiscal e política", acrescentou.

Além disso, a agência avalia que o processo de abertura de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff adiciona incertezas ao ambiente político.

"O processo de impeachment é um revés, especialmente na área fiscal..., atrasa a implementação das medidas fiscais", disse a diretora sênior da Ficth Ratings, Shelly Shetty.   Continuação...

 
Recepção de prédio da Fitch Ratings em Nova York. 06/02/2013 REUTERS/Brendan McDermid