Dólar salta 1,24% e vai acima de R$3,90, de olho em Levy e Fed

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015 17:31 BRST
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar subiu mais de 1 por cento nesta quarta-feira e fechou acima de 3,90 reais pela primeira vez em um mês e meio, com investidores preocupados com a possibilidade de o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, deixar o governo, com o rebaixamento da nota brasileira pela Fitch e antes da esperada elevação dos juros nos Estados Unidos.

O dólar avançou 1,24 por cento, a 3,9247 reais na venda. É a primeira vez que a moeda norte-americana encerra acima de 3,90 reais desde 28 de outubro, quando terminou a 3,9201 reais.

No momento do fechamento do mercado à vista, o Federal Reserve, banco central dos EUA, elevou a taxa de juros do país como era esperado. O dólar futuro ampliou ligeiramente a alta imediatamente após a decisão, para cerca de 1,5 por cento, mas perdeu força em seguida, para cerca de 0,70 por cento de valorização.

"A redução da meta fiscal enfraquece cada vez mais o Levy. A permanência dele no governo parece estar com as horas contadas", disse o operador da corretora SLW João Paulo de Gracia Correa.

Na noite passada, foi divulgado que a meta de superávit primário do setor público consolidado seria reduzida para cerca de 0,5 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), com a possibilidade de que o objetivo seja zerado com abatimentos.

No entanto, a Comissão Mista de Orçamento (CMO) aprovou nesta quarta-feira a redução da meta, mas sem possibilidade de abatimento. A decisão ainda precisa ser aprovada pelo plenário do Congresso Nacional.

Levy já havia se manifestado abertamente muitas vezes contra a mudança da meta de superávit e até ameaçou, nos bastidores, deixar o cargo caso fosse alterada. O ministro vem encabeçando a campanha pela austeridade fiscal e investidores entendem sua eventual saída do governo como um sinal de mais atrasos no reequilíbrio das contas públicas.

O quadro de cautela durante a sessão foi intensificado pela aguardada reunião do Federal Reserve, banco central norte-americano, que terminou após o encerramento dos negócios. Operadores já davam como certo que os juros seriam elevados e a reação foi bastante contida, com o Fed indicando que deve ser gradual nos próximos aumentos.   Continuação...