Desemprego no Brasil melhora em novembro com sazonalidade, mas renda cai

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015 11:01 BRST
 

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - Ajudada pelas tradicionais vagas de fim de ano, a taxa de desemprego no Brasil recuou em novembro, pela primeira vez no ano, mas a renda sofreu a maior queda em 12 anos numa economia que enfrenta recessão e inflação alta.

No mês passado, a taxa calculada pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) recuou a 7,5 por cento, divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira.

Embora seja menor do que os 7,9 por cento registrados em outubro, é a maior para novembro desde 2008, quando ela foi de 7,6 por cento. Também mostra forte alta em relação à taxa de 4,8 por cento de novembro de 2014.

"É natural que em novembro e dezembro a taxa caia devido aos empregos do final do ano, mas não muda nossa cabeça em relação ao ajuste que está acontecendo no mercado de trabalho", avaliou o economista sênior do banco de investimentos Haitong, Flávio Serrano, para quem o desemprego no país continuará subindo em 2016.

A expectativa em pesquisa da Reuters era de que o desemprego subisse a 8,0 por cento no m6es passado.

Com o cenário de recessão e inflação que assola o país, exacerbado pela crise política que afeta a confiança dos empresários, o mercado de trabalho neste ano não vem gerando vagas e a renda vem sendo corroída.

A renda média da população, segundo o IBGE, recuou 1,3 por cento em novembro sobre outubro, para 2.177,20 reais. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, o tombo foi de 8,8 por cento, maior queda desde dezembro de 2003 nessa base de comparação (-10,7 por cento).

"Há um ajuste importantíssimo no mercado de trabalho em curso que vai continuar, e isso nos dá a ideia de que a atividade econômica continuará se ajustando porque o consumo das famílias vai continuar sofrendo por conta do aumento do desemprego", disse Serrano.   Continuação...

 
Pessoas preenchendo fichas de emprego em São Paulo.  11/05/2015   REUTERS/Paulo Whitaker