Brasil está com aperto da política monetária, diz Tombini

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015 11:28 BRST
 

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou nesta quinta-feira que o Brasil vive momento de aperto na política monetária ao comentar as medidas que estão sendo tomadas para fazer a inflação convergir para o centro da meta de 4,5 por cento em 2017, ficando no limite de tolerância do regime de metas em 2016.

"Nós estamos com aperto da política monetária. Esse aperto tem contribuído também para, a despeito das revisões de inflação em função da inflação de custos no curto prazo, na de médio e longo prazo e mesmo no ano de 2016, contemplem uma desinflação necessária", afirmou ele em encontro com jornalistas.

Tombini adiantou que, na carta que terá que escrever para justificar o porquê de a inflação ter estourado a meta em 2015, reforçará que o avanço do IPCA foi guiado pelo ajuste intenso de preços relativos na economia.

"Não há política monetária que compense no curto prazo um choque de custos dessa magnitude", disse. Nos 12 meses até agosto, a inflação acumulou alta de 10,48 por cento, a maior desde 2003 e muito acima da meta de 4,5 por cento, com margem de 2 pontos para mais ou para menos.

Em 2016, a banda de tolerância é de 2 pontos percentuais, caindo a 1,5 ponto percentual em 2017. Em ambos os casos, o centro do objetivo é de 4,5 por cento.

O BC deixou claro já que deve voltar a subir a Selic --hoje a 14,25 por cento ao ano-- em breve, independentemente da política fiscal. Para o mercado futuro de juros, o próximo movimento será em janeiro e os DI's já subiram ajustando-se a esse cenário.

Ao falar da elevação dos juros pelo Fed, banco central norte-americano, Tombini avaliou que, num primeiro momento, os mercados parecem ter entendido que o processo de alta será gradual e cauteloso.

"Isso ajuda certamente a absorção dessa importante mudança", afirmou ele, acrescentando que a "primeira recepção dos mercados foi positiva, foi de tranquilidade".

Em linha com mensagem enviada na véspera pelo BC após a Fitch ter rebaixado o selo de bom pagador do país, Tombini reforçou que a realidade do país não muda de um hora para outra com o ocorrido.   Continuação...

 
Presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, durante evento no Peru.  08/10/2015    REUTERS/Paco Chuquiure