17 de Dezembro de 2015 / às 16:27 / em 2 anos

Estácio quer acelerar aquisições em 2016, diz CEO

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Estácio Participações pretende acelerar aquisições em 2016, com uma situação do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) mais previsível e diante de oportunidades de compras devido à crise econômica no Brasil.

Em 2015, as mudanças bruscas e restrição de vagas do Fies, além de uma piora expressiva do cenário econômico, levaram a companhia a pausar as compras e avaliar a situação, disse à Reuters o presidente-executivo da rede de ensino superior, Rogério Melzi.

Historicamente, a Estácio realiza cerca de cinco aquisições por ano, sendo ativos de médio e pequeno portes. Em 2015, no entanto, a empresa comprou duas instituições, ambas no segundo semestre.

“A gente está preparado para fazer mais (de cinco aquisições em 2016), mas com uma condição: as oportunidades têm que valer a pena. Este cenário de incerteza pode sim propiciar uma onda maior de compras, mas dentro de uma certa racionalidade”, disse Melzi.

Este ano, a Estácio comprou a Faculdades Integradas de Castanhal (Fcat), no Pará, por 26 milhões de reais, além do Centro Educacional Nossa Cidade, em São Paulo, por 90 milhões de reais.

“A estratégia da Estácio conhecida pelo mercado é de comprar pequenas e médias. Movimentos maiores e estratégicos são meramente oportunistas”, disse o executivo.

Melzi afirmou, ainda, que a instituição ainda não sente uma correção muito forte na expectativa de preços de ativos, mas percebe mais disposição de possíveis alvos para fazer negócios, muitas vezes instituições que anteriormente não queriam falar em fazer fusões e aquisições.

“Existe um espaço muito grande para discutir as condições de pagamento”, afirmou.

No ano que vem, apesar das incertezas políticas e econômicas, o executivo acredita que o mercado está mais preparado para um cenário ruim, já que de 2014 para 2015 a mudança foi muito brusca, especialmente para o setor educacional, com a redução do tamanho do Fies.

Para Melzi, as mudanças no Fies agora estão mais claras e os pagamentos do governo tendem a se regularizar.

“Existe uma expectativa de que o fluxo de pagamentos (do governo) volte a ser regularizado... Em se aprovando o orçamento, o que tem lá é suficiente para 12 pagamentos.”

As novas normas do Fies anunciadas no fim do ano passado estabeleceram pagamento do governo federal às instituições de ensino pelos créditos do programa em intervalos mínimos de 45 dias, ante 30 dias anteriormente. A expectativa da Estácio é que os pagamentos voltem a ser mensais em 2016.

A companhia ainda tem que receber do governo cinco parcelas relativas ao Fies, em um total de 600 milhões de reais. Melzi espera uma regularização dessa dívida até 2018, com pagamento de 25 por cento em 2016, outros 25 por cento em 2017 e o restante no ano seguinte.

A Estácio planeja lançar um produto híbrido de financiamento com algum banco, com a instituição de ensino dividindo os riscos do negócio, o que não acontece hoje com o produto de financiamento privado oferecido pela Ideal Invest e que teve adesão de 10 mil alunos no ano passado.

A Estácio tem atualmente 536 mil alunos, sendo 130 mil com Fies.

EVASÃO E NOVOS ALUNOS

Segundo Melzi, a evasão escolar em 2015 está relativamente estável e deve se manter no mesmo patamar em 2016. Para a captação de alunos para o primeiro semestre de 2016, “o que nós colocamos no nosso orçamento ainda é crescimento, tanto no presencial quanto a distância”, disse o executivo, sem dar detalhes.

O presidente da Estácio afirmou também que a crise econômica pode criar um movimento de estudantes em busca de cursos mais baratos, como os de curta duração ou a distância. Porém, ele afirmou que esta ainda é uma “tendência a ser comprovada”. Além disso, em alguns casos, há alunos que procuram fazer menos créditos por semestre para pagar uma mensalidade mais baixa.

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