Petrobras convida SBM para concorrência em meio a investigações

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015 17:00 BRST
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A nova operação Sangue Negro da Polícia Federal deflagrada nesta quinta-feira, envolvendo esquema de corrupção em contratos da Petrobras com a holandesa SBM Offshore, ocorre um dia após a companhia de plataformas ter sido formalmente convidada pela petroleira a apresentar propostas para o fornecimento de duas unidades.

As duas licitações em andamento têm como objetivo contratar unidades para duas importantes áreas no pré-sal da Bacia de Santos, segundo publicou na quarta-feira a SBM em nota em seu site. Um delas é a área de Libra, onde o governo espera que haja a maior reserva de petróleo do país, e o Campo de Sépia, na região do contrato de Cessão Onerosa firmado com o governo.

A holandesa, uma das maiores afretadoras de plataformas de petróleo e gás do mundo, está impedida de participar de licitações com a Petrobras após se tornar uma das empresas investigadas na operação Lava Jato, que apura um esquema bilionário de corrupção, que envolve políticos e executivos.

A operação desta quinta-feira, em que 12 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público Federal por suspeita de envolvimento em esquema de pagamento de propina envolvendo ex-executivos da Petrobras e da SBM, é fruto de investigações que começaram antes mesmo da Lava Jato, segundo a polícia.

Dentre os denunciados estão o atual presidente da SBM, Bruno Chabas, e o membro do Conselho de Administração da holandesa Sietze Hepkema, além dos ex-diretores da Petrobras, Renato Duque e Jorge Zelada.

A decisão da Petrobras de convidar a SBM já havia sido anunciada em setembro. Entretanto, um convite formal dependia da aprovação de sócios da companhia na área de Libra.

A Petrobras é operadora de Libra, com fatia 40 por cento, e tem como sócias a francesa Total e a anglo-holandesa Shell, com 20 por cento cada, além das chinesas CNPC e CNOOC, cada uma com 10 por cento.

No caso do campo de Sépia, apenas a Petrobras tem os direitos para exploração e produção.

A efetiva contratação da SBM, no entanto, como resultado de processos licitatórios, permanece condicionada ao cumprimento das obrigações previstas na Lei Anticorrupção e à celebração do Acordo de Leniência com a Controladoria-Geral da União (CGU) e com o Ministério Público Federal (MPF).   Continuação...