Levy admite conversa com Dilma para saída e diz que não quer criar constrangimento

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015 15:13 BRST
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, admitiu nesta sexta-feira conversas com a presidente Dilma Rousseff sobre sua saída do governo, mas deu muitas respostas evasivas sobre o assunto e em nenhum momento foi direto sobre sua permanência no cargo, mesmo após intensos ruídos de que estaria deixando a pasta.

"A gente tem conversado... Eu acho que tem que falar o que já falei... O ano legislativo se encerrou e isso abre umas tantas alternativas. Evidentemente meu objetivo não é criar nenhum tipo de constrangimento ao governo", afirmou o ministro a jornalistas durante café da manhã, após ser questionado se já havia acertado sua saída com Dilma.

"É importante ter clareza de exatamente quais são as prioridades até em função de todas as diversas demandas sobre o governo, sobre a presidente, e eu acho que qualquer caminho vai ser muito em função disso", acrescentou.

As notícias sobre a saída do ministro ganharam força nos últimos dias, turbinadas pela decisão do governo de buscar uma meta de superávit primário para 2016 que previsse abatimentos que poderiam, na prática, anular o esforço fiscal.

Levy sempre foi contrário ao afrouxamento, avaliando que diminuiria a pressão para parlamentares aprovarem medidas de ajuste, aumentando a desconfiança de agentes econômicos com o real esforço para o reequilíbrio das contas públicas.

Na véspera, no entanto, o Congresso aprovou uma meta de superávit menor, de 0,5 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), sobre 0,7 por cento defendido por Levy, mas barrou a possibilidade de descontos, como inicialmente queria o Executivo.

Diante do constante vaivém do alvo da economia para pagamento dos juros da dívida pública, o Brasil perdeu o grau de investimento pelas agências de classificação de risco Fitch e Standard & Poor's.

Os mercados financeiros estão reagindo negativamente à saída de Levy, que deve ocorrer ainda nesta sexta-feira ou nos próximos dias, segundo fontes ouvidas pela Reuters. A Bovespa recuava mais de 2 por cento.   Continuação...

 
Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, durante evento no Rio de Janeiro.   23/11/2015  REUTERS/Sergio Moraes