PERFIL-Barbosa vai para a Fazenda com desafio de resgatar confiança no crescimento

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015 18:37 BRST
 

Por Camila Moreira e Flavia Bohone

SÃO PAULO (Reuters) - Com fama de "desenvolvimentista" e tendo um olhar atento a políticas sociais, Nelson Barbosa troca o Ministério do Planejamento pela Fazenda com o desafio de manter o esforço pela reorganização das contas públicas agora de um modo mais equilibrado com a forte ênfase no resgate da confiança de empresários e famílias no crescimento da economia.

Não será uma tarefa fácil, diante do quadro de profunda recessão, inflação de volta à casa dos dois dígitos e com o país perdendo o selo de bom pagador por duas agências de classificação de risco. Além disso, Barbosa terá de lidar com a turbulenta relação com o Congresso Nacional em meio à batalha do impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

Com perfil informal e constante interesse em aprender, Barbosa tem um forte currículo acadêmico, com doutorado em economia nos Estados Unidos, e é considerado um "líder nato" por pessoas que já trabalharam com ele.

Nascido em 1969, o carioca e vascaíno já foi o titular de três secretarias do Ministério da Fazenda: de Acompanhamento Econômico (2007-2008), de Política Econômica (2008-2010) e Executiva (2011-2013), quando o ministro era Guido Mantega.

Pouco antes de sua saída da Secretaria-Executiva, Barbosa passou a bater de frente com o secretário do Tesouro, Arno Augustin. Criticou fortemente nos bastidores a condução da política fiscal recheada de manobras e a falta de transparência na comunicação, chegando até mesmo a arranhar sua relação com Dilma.

Nada que o impedisse, após a reeleição, de assumir um posto no primeiro escalão no segundo mandato de Dilma, como ministro do Planejamento e um dos principais condutores da política econômica.

Neste ano, bateu de frente com Levy, que sempre teve uma postura mais ortodoxa quando o assunto era ajuste fiscal, levando a melhor em várias ocasiões.

Já em maio, num sinal da sua crescente influência, Barbosa convenceu Dilma a optar por um corte orçamentário mais moderado do que o proposto por Levy. Este, irritado, não compareceu ao anúncio do contingenciamento, o que segundo autoridades do governo foi em protesto à decisão. Mais tarde Levy afirmou que uma gripe forte o impediu de comparecer à coletiva de imprensa.   Continuação...

 
Ministro Nelson Barbosa participa de audiência na Câmara dos Deputados, em Brasília. 29/09/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino