Economistas veem novo aperto monetário já em janeiro, com alta de 0,5 p.p. da Selic, mostra Focus

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015 09:44 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Os economistas voltaram a elevar suas projeções para a taxa básica de juros em 2016, mas agora com alta de 0,5 ponto percentual já em janeiro, e mesmo assim as expectativas de pressão inflacionária continuam elevadas.

Segundo a pesquisa Focus do Banco Central com instituições financeiras divulgada nesta segunda-feira, a expectativa para a Selic --hoje a 14,25 por cento ao ano-- no ano que vem passou a 14,75 por cento, contra 14,63 por cento na semana anterior.

O BC vem dando recentemente várias sinalizações de que pretende voltar a elevar os juros em breve, em meio à piora das expectativas de inflação. Com isso, os economistas consultados passaram a ver alta de 0,5 ponto percentual em janeiro, contra expectativa anterior de manutenção no atual patamar de 14,25 por cento.

Depois, o Focus mostra que a expectativa é de mais duas altas de 0,25 ponto em seguida, com a Selic então caindo a 14,75 por cento em dezembro. O mercado futuro de juros, por sua vez, enxerga pelo menos três altas de 0,50 ponto em 2016, a primeira a partir do próximo mês, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC se reúne novamente.

A pesquisa semanal com uma centena de economistas mostrou elevação pela terceira semana seguida da projeção para a alta do IPCA no final de 2016, atingindo 6,87 por cento, sobre 6,80 por cento antes.

Houve também mais uma vez alta na expectativa para 2015, com o avanço do IPCA estimado agora em 10,7 por cento, 0,09 ponto percentual a mais do que no levantamento anterior.

Em ambos os casos a inflação estouraria o teto da meta, que é de 4,5 por cento pelo IPCA, com tolerância de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

O IPCA-15, prévia da inflação oficial, encerrou 2015 com alta acumulada em 12 meses de 10,71 por cento, maior taxa anual desde 2002.

Para 2017 o cenário também piorou, com a expectativa de alta do IPCA chegando a 5,17 por cento, contra 5,10 por cento, acima do centro da meta oficial, de 4,5 por cento, mas com tolerância de 1,5 ponto percentual.   Continuação...