COLUNA-Reforma da Previdência pode ser moeda de troca para flexibilizar ajuste fiscal

terça-feira, 22 de dezembro de 2015 17:27 BRST
 

(O autor é editor de Front Page do Serviço Brasileiro da Reuters. As opiniões expressas são do autor do texto)

Por Alexandre Caverni

SÃO PAULO (Reuters) - A insistência com que todo mundo no governo começou a citar a realização de uma reforma da Previdência sugere que essa mudança estrutural futura pode ser usada como uma moeda de troca para algum tipo de flexibilização no esforço fiscal no curto prazo, na busca da retomada do crescimento econômico.

Esse movimento parece especialmente importante no momento de mudança do comando do Ministério da Fazenda, com a troca de alguém que era visto como umbilicalmente ligado ao ajuste fiscal, Joaquim Levy, por justamente alguém visto como menos comprometido com esse esforço, Nelson Barbosa, e que parece ter derrotado o ex-titular em vários momentos para moderar os cortes de gastos propostos.

Na cerimônia de posse de Barbosa e do novo ministro do Planejamento, Valdir Simão, a presidente Dilma Rousseff defendeu a reforma da Previdência que o governo vem estudando desde o início do ano, e Barbosa afirmou que o governo pretende apresentar ao Congresso uma proposta no primeiro semestre de 2016.

O novo ministro da Fazenda tem citado repetidamente essa reforma, assim como Simão e mesmo o chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, que deixou claro em conversa com jornalistas nesta manhã uma preocupação com essa iniciativa. Para Wagner, o governo ganhará credibilidade se conseguir fazer a reforma da Previdência.

A preocupação faz sentido. Quando o governo enviou ao Congresso o projeto de Lei Orçamentária Anual em agosto, projetava só para o ano que vem um déficit de quase 125 bilhões de reais no Regime Geral da Previdência Social.

Mas o fato de todas as principais figuras do Executivo estarem falando à exaustão da reforma da Previdência não torna mais exequível sua realização.

Basta ver o histórico da mesma nos últimos governos. O tucano Fernando Henrique Cardoso, que possuía uma base muito forte e coesa no Congresso, não teve vida fácil para fazer sua reforma da Previdência.   Continuação...