CENÁRIOS-Transmissoras privadas de energia veem leilões mais atrativos, mas mantêm cautela

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015 15:50 BRST
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - As maiores investidoras privadas em transmissão de energia elétrica do Brasil estão de olho nas oportunidades de crescimento em 2016, quando o governo federal pretende licitar um volume recorde de linhas a serem construídas, mas ainda mantêm um discurso cauteloso em meio a um cenário complicado no setor e na economia do país.

A Cteep , controlada pela colombiana Isa, a Taesa, da mineira Cemig e do fundo Coliseu, e a Alupar veem avanços nas regras para os leilões de transmissão, ainda que as dificuldades ambientais crescentes continuem sendo um pé no freio para os investimentos.

Um cenário com boa parte das empresas ainda descapitalizadas pode beneficiar agentes que estão em melhor condição financeira.

"No mundo dos leilões, o governo alterou as condições... posso dizer que a atratividade hoje é superior ao que era no passado. Mas as empresas estão sofrendo com uma situação financeira (ruim)", disse à Reuters o presidente da Cteep, Reynaldo Passanezi.

Nos últimos certames, a Aneel elevou a taxa de retorno e o prazo para conclusão das obras, além de ter criado regra que possibilita extensão do prazo de concessão se houver atraso no licenciamento ambiental.

O presidente da Taesa, José Ragone, também vê avanços nas licitações, mas em um momento em que as empresas têm maior dificuldade para investir.

"O setor (elétrico) como um todo passa por uma turbulência, e isso se reflete também na transmissão. Então a cautela e a prudência se tornam fatores ainda mais relevantes em qualquer decisão... existe uma cautela com relação a investimento no próprio país, uma questão mais macro", explicou.

A Aneel pretende licitar no primeiro trimestre de 2016 linhas de energia que demandarão cerca de 16 bilhões em investimentos, com outros certames menores previstos para o restante do ano.   Continuação...