Ativos da Abengoa no Brasil ainda estão fora do radar de Taesa e Cteep

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015 15:53 BRST
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - Os ativos da espanhola Abengoa no setor de transmissão de energia do Brasil, que incluem linhas em operação e em implementação, ainda não estão no radar de Cteep e Taesa, duas das maiores investidoras privadas do segmento no país, segundo disseram à Reuters os presidentes das companhias.

Após a matriz da Abengoa entrar com pedido preliminar de recuperação judicial na Espanha, a companhia admitiu à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que paralisou todas obras no país e intensificou esforços para vender ativos.

No caso da Cteep, controlada pela colombiana Isa, o problema para participar desse processo é a indefinição sobre o recebimento de uma indenização bilionária prometida pelo governo federal, que fez com que a empresa paralisasse planos de investimentos ou aquisições.

"Hoje a gente não tem dinheiro... primeiro a gente tem que resolver a indenização. Depois vamos trabalhar com a alocação ótima desses recursos, mas é impossível hoje, não temos condição financeira, seria irresponsável de nossa parte", disse o presidente da companhia, Reynaldo Passanezi.

Já a Taesa, que está em melhor situação financeira e se diz pronta para novos investimentos, acredita que uma eventual venda de linhas da Abengoa não acontecerá facilmente.

"Quando isso for examinado, vamos encontrar concessões com percentual avançado de concretização e outras que nem iniciaram (obras) ainda... exige cuidado, uma due diligence bastante bem-feita... com certeza não será uma transação tradicional", apontou.

O executivo, que ressaltou que a Taesa não participa de nenhuma conversa sobre essas operações neste momento, disse que será necessário envolver fornecedores, financiadores e o regulador para fechar negócio com ativos da espanhola.

"Só vejo solução se todas essas partes se motivarem a sentar para uma solução conjunta, em que os riscos sejam mitigados... com certeza não vejo simplicidade nessa questão", apontou.

O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, disse na semana passada que existem empresas interessadas em assumir obras da Abengoa no Brasil e que o governo federal está em conversas com esses agentes.

A Abengoa tem importantes projetos de transmissão de energia não concluídos no Brasil, como uma linha que escoará parte da produção da hidrelétrica de Belo Monte e estruturas para levar à rede a energia de parques eólicos no Nordeste.