Índia reduz compra estatal de algodão com alta em importações do Paquistão

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015 13:53 BRST
 

MUMBAI (Reuters) - As compras de algodão pelo governo da Índia deverão cair 89 por cento no ano comercial de 2015/16 devido à alta dos preços locais, após problemas na colheita terem forçado o vizinho Paquistão a elevar as importações junto ao maior produtor mundial da fibra.

O aumento nos envios para Paquistão, Bangladesh e Vietnã vão ajudar a Índia a reduzir gastos com a compra estatal de algodão em cerca de 140 bilhões de rúpias (2 bilhões de dólares) no ano comercial que teve início em 1° de outubro, embora o maior volume disponível no mercado internacional deva limitar os ganhos nos preços globais.

"Os preços aforam acima do preço mínimo de apoio (pago nas compras estatais) na maior parte dos Estados e os produtores estão vendendo para empresas privadas", disse o presidente do conselho e diretor da estatal Corporação do Algodão da Índia, B. K. Mishra.

Para ajudar os produtores de algodão da Índia, a estatal compra fibra de algodão bruto deles a 4.100 rúpias por 100 quilos, enquanto os preços no mercado spot subiram para entre 4.300 a 4.800 rúpias.

No ano encerrado em 30 de setembro, a Índia gastou 160 bilhões de rúpias para comprar 8,7 milhões de fardos de algodão pelo preço mínimo, enquanto a maior consumidora, a China, começou a reduzir importações.

No atual ano comercial, a expectativa era de que as compras do governo subissem ante o nível do ano passado devido à fraca demanda da China. Mas uma repentina elevação na demanda do Paquistão e uma decisão do Estado líder em produção na Índia, Gujarat, de comprar junto a produtores a níveis maiores que o mínimo impulsionaram o mercado e reduziram a necessidade de apoio estatal.

Com isso, o governo deverá gastar apenas 20 bilhões de rúpias para a compra de 1 milhão de fardos neste ano, disse Mishra. "Nós já compramos 700.000 fardos, mas a partir de agora estamos esperando uma desaceleração nas compras devido ao aumento dos preços".

(Por Rajendra Jadhav)