Dólar salta mais de 2% e vai acima de R$4 após China alimentar aversão a risco

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016 13:02 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar saltava mais de 2 por cento sobre o real nesta segunda-feira, primeira sessão do ano e marcada por aversão ao risco, após a atividade industrial na China mostrar retração pelo 10º mês seguido, reacendendo as preocupações sobre a economia do país asiático.

Às 12:09, o dólar avançava 2,18 por cento, a 4,0342 reais na venda, após subir 1,83 por cento na última sessão de 2015 e encerrar o ano com alta de 48,49 por cento.

"Se a China está ruim, os países que dependem da China vão no mesmo barco", resumiu o gerente de câmbio da Treviso, Reginaldo Galhardo.

A atividade industrial chinesa encolheu em dezembro, com o setor lutando contra a fraca demanda. O dado pressionou o mercado acionário chinês, que acionou o "circuit breaker" pela primeira vez e fechou com queda de quase 7 por cento.

Em meio ao cenário de preocupações com a China, o dólar subia também frente a outras moedas de países emergentes, como os pesos mexicano e chileno.

No Brasil, o pessimismo com o cenário político ajudava a acentuar as altas, com o recesso no Congresso Nacional adiando a decisão de medidas importantes para a busca do equilíbrio fiscal do país.

Entre as medidas a serem analisadas pelo Congresso após a volta do recesso, está a retomada da CPMF, prevista na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2016 e necessária nos cálculos do governo para fechar o ano com a meta de superávit primário para o setor público consolidado equivalente a 0,5 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

O Banco Central realizou no final desta manhã o primeiro leilão de rolagem dos swaps cambiais que vencem em 1º de fevereiro, com oferta de até 11,6 mil contratos. Na operação, a autoridade monetária rolou o equivalente a 563,4 milhões de dólares, ou cerca de 5 por cento do lote total, que corresponde a 10,431 bilhões de dólares.

(Por Flavia Bohone)

 
Notas de real e dólar vistas em casa de câmbio no Rio de Janeiro.   10/09/2015    REUTERS/Ricardo Moraes