Dólar salta quase 3%, acima de R$4, com China e preços do petróleo

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016 15:43 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar saltava quase 3 por cento sobre o real nesta segunda-feira, primeira sessão do ano e marcada por aversão ao risco, com temores sobre a economia global, sobretudo após dados fracos da China, e com a queda nos preços do petróleo.

Às 15:30, o dólar avançava 2,81 por cento, a 4,0589 reais na venda, após atingir 4,0717 reais na máxima da sessão, alta de 3,13 por cento. Na última sessão de 2015, a moeda norte-americana subiu 1,83 e encerrou o ano com alta de 48,49 por cento.

"Se a China está ruim, os países que dependem da China vão no mesmo barco", resumiu o gerente de câmbio da Treviso, Reginaldo Galhardo.

A atividade industrial chinesa encolheu em dezembro, com o setor lutando contra a fraca demanda. O dado pressionou o mercado acionário chinês, que acionou o "circuit breaker" pela primeira vez e fechou com queda de quase 7 por cento.

O cenário de apreensão foi intensificado após os preços do petróleo passarem a cair nesta tarde, seguindo a queda no mercado acionário norte-americano e apagando os ganhos registrados mais cedo na commodity, em meio a tensões no Oriente Médio.

"O dólar subiu mais nestes últimos instantes com a virada do petróleo..., que passou a cair forte novamente à tarde”, disse o superintendente regional de câmbio da corretora SLW João Paulo de Gracia Correa.

Ainda do exterior, dados mostraram que o setor industrial nos Estados Unidos contraiu ainda mais em dezembro, com o dólar forte prejudicando a rentabilidade das exportações, enquanto os gastos com construção tiveram a primeira queda em quase um ano e meio em novembro, sugerindo crescimento econômico apenas moderado no quarto trimestre de 2015.

Em meio ao cenário de preocupações externas, o dólar subia também frente a outras moedas de países emergentes, como os pesos mexicano e chileno.

No Brasil, o pessimismo com o cenário político ajudava a acentuar as altas, com o recesso no Congresso Nacional adiando a decisão de medidas importantes para a busca do equilíbrio fiscal do país.   Continuação...

 
Notas de real e dólar vistas em São Paulo.   22/09/2015    REUTERS/Paulo Whitaker