Dólar sobe a R$4,0339, maior cotação desde setembro, após dados fracos da China

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016 17:35 BRST
 

Por Flavia Bohone

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar subiu com força ante o real nesta segunda-feira e fechou a primeira sessão do ano na maior cotação desde setembro, em um dia marcado por aversão a risco e aumento do temor de uma desaceleração econômica global, após a divulgação de dados fracos da China.

O dólar avançou 2,18 por cento, a 4,0339 reais na venda, maior cotação de fechamento desde 29 de setembro, quando encerrou a 4,0591 reais. Na máxima da sessão, a moeda norte-americana chegou a ser negociada a 4,0717 reais, alta de 3,13 por cento.

"Se a China está ruim, os países que dependem da China vão no mesmo barco", resumiu o gerente de câmbio da Treviso, Reginaldo Galhardo. A China é um dos maiores parceiros comerciais do Brasil.

A atividade industrial chinesa encolheu em dezembro, com o setor lutando contra a fraca demanda. O dado pressionou o mercado acionário chinês, que acionou o "circuit breaker" pela primeira vez e fechou com queda de quase 7 por cento.

"A China é um risco que vai continuar existindo ...porque as dúvidas sobre o desempenho da economia e sobre o câmbio... ainda persistem", disse o economista da Tendências Consultoria Silvio Campos Neto.

O cenário de apreensão foi intensificado durante a tarde, com a moeda norte-americana subindo mais de 3 por cento, após os preços do petróleo passarem a cair, seguindo a queda no mercado acionário norte-americano e apagando os ganhos registrados mais cedo na commodity, em meio a tensões no Oriente Médio.

"O dólar subiu mais nestes últimos instantes com a virada do petróleo..., que passou a cair forte novamente à tarde", disse o superintendente regional de câmbio da corretora SLW João Paulo de Gracia Correa.

Ainda no exterior, dados mostraram que o setor industrial dos Estados Unidos contraiu ainda mais em dezembro, com o dólar forte prejudicando a rentabilidade das exportações, enquanto os gastos com construção tiveram a primeira queda em quase um ano e meio em novembro, sugerindo crescimento econômico apenas moderado no quarto trimestre de 2015.   Continuação...

 
Notas da moeda brasileira e de dólares norte-americanos 10/09/2015. REUTERS/Ricardo Moraes