Setor de serviços no Brasil intensifica retração em dezembro, mostra PMI

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016 10:01 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - A retração do setor de serviços no Brasil se intensificou em dezembro, com a contração econômica reduzindo ainda mais os novos negócios e aprofundando o corte de postos de trabalho, mostrou o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) nesta quarta-feira.

O Markit informou que o PMI de serviços brasileiro caiu a 43,5 em dezembro, ante 45,5 em novembro, permanecendo abaixo da marca de 50 que separa crescimento de retração da atividade. Em 2015, o indicador ficou acima de 50 apenas em fevereiro, e a pior leitura foi registrada em julho, quando ficou em 39,1.

Todos os seis subsetores monitorados registraram nível menor na atividade em dezembro, tendência que tem se repetido ao longo dos últimos oito meses. As taxas de declínio mais acentuadas foram verificadas nas categorias "outros serviços", "aluguéis e atividades de negócios" e "correios e telecomunicações".

A queda no setor de serviços pesou e contribuiu para aprofundar a retração no PMI Composto em dezembro, que foi a 43,9 ante 44,5 em novembro, apesar da redução do ritmo de queda do setor industrial.

"A economia do Brasil manteve-se em queda livre no último mês de 2015, pressionada por uma desaceleração mais acentuada da atividade de serviços. Igualmente preocupante, o mercado de trabalho continuou a despencar, como as empresas operando no que é considerada a pior situação econômica desde a Grande Depressão", disse a economista do Markit Pollyana de Lima.

Em meio a dificuldades políticas do governo da presidente Dilma Rousseff, a economista não acredita em uma melhora no curto prazo.

"Como as políticas econômicas não devem ser parte da agenda do governo no curto prazo, os prospectos para qualquer melhora nos próximos meses permanecem nebulosos."

O volume de novos negócios voltou a cair em dezembro, ampliando a sequência de contração para dez meses, a mais longa da pesquisa feita pelo Markit.

Com a escassez de novos negócios e a busca por contenção de custos, as empresas do setor de serviços voltaram a cortar o número de funcionários em dezembro. A taxa de redução de empregos foi a mais acentuada desde o início da pesquisa, em março de 2007.   Continuação...