Superintendência do Cade abre processo contra Correios por prática anticompetitiva

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016 14:51 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - A superintendência-geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu processo administrativo para investigar prática de condutas anticompetitivas pelos Correios (ECT), informou o órgão de proteção da concorrência nesta quarta-feira.

A investigação foi aberta após queixa do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (Setcesp), que alegou que os Correios estariam cometendo duas condutas anticompetitivas, afirmou o Cade em comunicado à imprensa.

Com a instauração do processo, a ECT será notificada para apresentar defesa e, depois disso, a superintendência emitirá parecer ao tribunal do Cade opinando pela condenação ou arquivamento do processo.

A primeira queixa se refere a tentativa da estatal de ampliar seu monopólio de entrega de cartas para outros produtos, por meio de ações judiciais repetidas e sem fundamento objetivo. A prática é conhecida como "sham litigation" (falso litígio) e a "ECT estaria excluindo do mercado concorrentes que entregam tais produtos", afirmou o Cade citando a queixa do sindicato.

A outra irregularidade, segundo o Setcesp, é que os Correios estariam cobrando preços mais altos para atender empresas de entrega concorrentes.

"Embora não questione o direito de monopólio legal da ECT, a superintendência-geral do Cade considerou que determinadas condutas específicas por parte da empresa configuram indícios de condutas anticompetitivas vedadas pela Lei de Defesa da Concorrência", afirmou a autarquia.

A superintendência também afirmou que há indícios de que os Correios estejam impedindo concorrentes de prestarem serviço de moto-frete para o transporte de itens como cartões magnéticos e talões de cheque, além de também privar as pessoas e empresas consumidoras de obter o serviço no mercado.

A investigação também envolve indícios de que a ECT esteja promovendo discriminação anticompetitiva ao impedir ou dificultar uso de sua infraestrutura de agências espalhada por todo o país por parte de outras empresas concorrentes.

"No segmento de entregas do comércio eletrônico e nos serviços voltados ao setor financeiro verificou-se que os Correios se recusam a trabalhar com alguns concorrentes, liberando seus serviços apenas às empresas que não competem com eles", afirmou o Cade.   Continuação...