China deixa iuan cair mais rápido, e operações são suspensas com tombo das ações

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016 09:36 BRST
 

Por Lu Jianxin e John Ruwitch

XANGAI (Reuters) - A China acelerou a depreciação do iuan nesta quinta-feira, levando os mercados acionários a despencarem com os investidores temendo que o gigante asiático possa provocar uma disputa de desvalorização cambial entre parceiros comerciais.

Os mercados acionários chineses foram suspensos pelo resto do dia menos de meia hora depois de abrirem, com um novo mecanismo de "circuit breaker" sendo acionado pela segunda vez nesta semana.

O banco central da China surpreendeu novamente os mercados ao definir a taxa referencial do iuan a 6,5646 por dólar, o menor nível desde março de 2011. A moeda ficou 0,5 por cento mais fraca do que no dia anterior e teve a maior queda diária desde agosto do ano passado.

Isso aumentou as preocupações de que a China possa estar buscando uma depreciação competitiva do câmbio para ajudar seus exportadores em dificuldade.

"Esse é o temor do mercado", disse o estrategista de câmbio do Bank of Singapore Sim Moh Siong, acrescentando que outras moedas enfraqueceram em resposta e que o resultado final será maior volatilidade.

O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, teve forte queda de 6,93 por cento, para 3.294 pontos. O índice de Xangai despencou 7,32 por cento, para 3.115 pontos, e disparou a suspensão das operações, em uma repetição da queda súbita de segunda-feira.

O mecanismo de suspensão, com pretensão de acalmar a volatilidade do mercado, estava tendo o efeito oposto, de acordo com um investidor de sobrenome Hu em Guangzhou.

Ele disse que comprou ações na quarta-feira quando o mercado se recuperou, mas estava agora preso pelo "circuit breaker", que, segundo ele, estava "matando os investidores" e criando pânico.

O regulador do mercado de capitais da China também revelou novas regras nesta quinta-feira para restringir a venda por grandes acionistas, que têm estado travados com suas carteiras há seis meses desde que Pequim os proibiu de descarregar papéis para evitar uma quebra do mercado.

(Reportagem adicional de Samuel Shen, Lisa Jucca, Umesh Desai e Masayuki Kitano)

 
Pessoas passam por painel exibindo cotações de ações de bolsa na China, em Hong Kong. 07/01/2016 REUTERS/Bobby Yip