Indústria cai mais que esperado em novembro, deve fechar 2015 com queda de mais de 8%

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016 11:04 BRST
 

Por Caio Saad e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - Após o desastre em Mariana (MG) e greve na Petrobras, o setor industrial acentuou as perdas em novembro e caminha para encerrar 2015 com queda de mais de 8 por cento em meio às crises econômica e política no país.

A produção industrial brasileira caiu 2,4 por cento em novembro na comparação com outubro, pior resultado desde dezembro de 2013 (-2,8 por cento), após recuo de 0,6 por cento no mês anterior. O número representa a sexta queda mensal seguida, sequência inédita de perdas na série histórica, iniciada em 2002.

Na comparação com o mesmo mês de 2014, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou nesta quinta-feira que houve perdas de 12,4 por cento, a mais acentuada desde abril de 2009 (-14,1 por cento) nessa base de comparação.

Os resultados foram bem piores do que as expectativas em pesquisa da Reuters com economistas, de queda de 0,95 por cento na variação mensal e de 10,3 por cento na base anual.

"Havia uma dúvida sobre como a greve na Petrobras e o desastre de Mariana iriam afetar o índice. Os modelos muitas vezes não conseguem capturar esses eventos", explicou o estrategista-chefe do Banco Mizuho Luciano Rostagno.

As perdas no acumulado de 2015 já chegam a 8,1 por cento, superando o pior desempenho já registrado pela indústria, em 2009, de queda de 7,1 por cento.

Quase todos os segmentos pesquisados registraram perdas no mês, com destaque para a queda de 3,8 por cento de Bens Intermediários.

Também se destacaram as perdas de 3,2 por cento na produção de Bens de Consumo Duráveis, enquanto o segmento de Bens de Capital, uma medida de investimento, apresentou queda de 1,6 por cento.   Continuação...

 
Vista geral de Bento Rodigues, distrito de Mariana soterrado por lama após rompimento de barragem da mineradora Samarco.  O setor industrial brasileiro acentuou as perdas em novembro em parte devido à tragédia em Mariana, segundo o IBGE. REUTERS/Ricardo Moraes