LCR mira Brasil em crise e reforça aposta em demanda por visto permanente para EUA

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016 18:20 BRST
 

Por Aluisio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - Na esteira do pessimismo dos brasileiros com a economia em recessão e a procura de famílias com mais recursos por estudos e trabalho em outros países, a demanda pelo green card, cobiçado visto de residência permanente nos Estados Unidos, tende a se multiplicar em 2016.

É nisso que aposta a gestora norte-americana LCR, especializada no programa que oferece o green card a pessoas com disposição e recursos a ter atividade empresarial nos EUA, conhecido como EB-5.

Após registar 12 brasileiros no programa no ano passado, que se comprometeram a investir cerca de 6 milhões de dólares nos EUA, a LCR lançou recentemente uma segunda rodada de captação de recursos, com o qual pretende ter no Brasil pelo menos metade dos interessados em fundo para cerca de 100 participantes.

"A crise tem aumentado a demanda e sabemos que se o Brasil estivesse indo bem, a procura não seria tão grande", diz Ilka Komatsu, diretora da LCR no país.

Criado em 1990, o EB-5 credencia centros regionais a captar recursos para projetos que criem empregos, especialmente em regiões dos EUA com alto nível de desocupação. Hoje são pouco mais de mil desses projetos e fundos, como a LCR.

O programa se restringe a estrangeiros dispostos a investir pelo menos 500 mil dólares, sem promessa de rentabilidade, nem de retorno do principal. Cada cota deve garantir a geração de pelo menos 10 empregos por um período de cinco anos. Em troca, os EUA oferecem o green card provisório em 2 anos, válido também para cônjuge e filhos até 21 anos, e depois o visto permanente.

Segundo Ilka, a possibilidade de dar maiores chances de emprego para filhos estudantes nos EUA após a conclusão da faculdade é uma das maiores motivações de pessoas que procuram pelo EB-5.

O programa ganhou força nos últimos anos, na esteira da recuperação da economia norte-americana e da perda de vigor de países emergentes. No ano fiscal de 2014, foram 10,7 mil concessões de EB-5, ante 8,6 mil um ano antes. Os chineses ficaram com 85 por cento do total em 2014, segundo a consultoria norte-americana Savills Studley.   Continuação...