ANA será cuidadosa para liberar hidrelétricas afetadas por lama da Samarco no Rio Doce

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016 12:30 BRST
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - Quatro hidrelétricas instaladas no Rio Doce, em Minas Gerais, precisarão de aval da Agência Nacional de Águas (ANA) para voltar a operar, depois de terem a geração interrompida em novembro, na sequência do rompimento de uma barragem da mineradora Samarco em Minas Gerais.

A agência disse à Reuters que será cautelosa antes de autorizar a retomada, que até o momento só foi solicitada por uma usina da EDP Energias do Brasil, que diz estar apta a operar. As demais hidrelétricas na região ainda avaliam eventuais estragos em máquinas e nos reservatórios com a passagem de rejeitos de minério pelo rio.

"A análise deve ser cuidadosa, para que a retomada da operação não cause impactos negativos em uma bacia já bastante impactada", disse a ANA, em nota.

Segundo a autarquia, estão sendo estudadas questões como o monitoramento que as usinas deverão fazer em relação à qualidade da água, bem como o impacto da retomada da geração de energia sobre os demais usos da água do rio.

A EDP Brasil afirmou que hidrelétrica Mascarenhas de Moraes, no Espírito Santo, a última no Rio Doce pela qual os rejeitos de mineração passaram antes de desaguar no mar, teve as máquinas desligadas "de forma preventiva" e "está apta a retomar as atividades".

Segundo a ANA, o pedido da empresa está em análise, ainda sem data para uma resposta.

Muito menos lama do que o inicialmente estimado vazou da barragem com rejeitos de minério de ferro que se rompeu na cidade mineira de Mariana em novembro, quando 17 pessoas morreram, informou nesta sexta-feira a anglo-australiana BHP Billiton BHP.AX BLT.L, uma das proprietárias da Samarco junto com a Vale.

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Rio Doce, em Naque, em Minas Gerais. 12/11/2015 REUTERS/Ricardo Moraes