Tombini atribui estouro da meta de inflação a dólar e tarifas; indica que juros podem subir

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016 21:55 BRST
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse nesta sexta-feira que o ajuste dos preços relativos, com avanço do dólar e forte aumento de tarifas, influenciou no estouro da meta de inflação em 2015, e reiterou que a política monetária deve manter-se vigilante para conter efeitos adicionais resultantes desses movimentos.

Com isso, a autoridade monetária reforça o discurso de que pode elevar os juros básicos para conter a inflação, trilhando um caminho que vinha pavimentando em comunicações anteriores.

"Não obstante o esforço de política monetária já realizado, vale reiterar que, nas atuais circunstâncias, a política monetária deve manter-se vigilante para conter eventuais efeitos adicionais resultantes dos dois importantes processos de ajustes e preços relativos que dominaram a economia em 2015", afirmou Tombini em carta aberta para explicar porque o BC descumpriu a meta de inflação em 2015.

"Só assim será possível ancorar as expectativas, um dos pilares do regime de metas para a inflação, e assegurar a convergência da inflação para a meta", completou.

No ano passado, a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) chegou a 10,67 por cento, extrapolando com folga a meta do governo de 4,5 por cento, com margem de 2 pontos para mais ou para menos. [nL1N14S0K1]

A inflação não estourava a meta desde o primeiro ano do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, quando ficou em 9,3 por cento, e não chegava a 10 por cento desde 2002.

A produção da carta, que deve ser endereçada pelo presidente do BC ao ministro da Fazenda, é uma exigência estabelecida por decreto para casos em que o IPCA extrapolar os limites da meta de inflação.

No documento, Tombini pontuou que os ajustes de preços relativos representados pela alta do dólar frente ao real e pelo aumento dos preços administrados, com destaque para as tarifas de energia, criaram importantes desafios à condução da política monetária.   Continuação...

 
Presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, participa de encontro do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional em Lima. 08/10/2015 REUTERS/Paco Chuquiure