Redução de combustíveis dá conforto ao BC e impulsiona apostas de corte maior da Selic

sexta-feira, 14 de outubro de 2016 14:14 BRT
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - A redução no preço da gasolina e do diesel anunciada pela Petrobras deve representar um alívio extra para a inflação, ainda que de pequena magnitude, aumentando o conforto para o Banco Central reduzir a taxa básica de juros e dando força às apostas no mercado de um corte maior na próxima semana.

Ao diminuir o preço do diesel em 2,7 por cento e da gasolina em 3,2 por cento nas refinarias nesta sexta-feira, a Petrobras estimou que se o reajuste for totalmente repassado para a bomba o impacto será de aproximadamente 0,05 real para os consumidores nos dois casos.

Os investidores já vinham esperando um corte na Selic na reunião da próxima semana do Banco Central diante do alívio na inflação, só que com apostas majoritárias de que seria de 0,25 ponto percentual. Mas após o anúncio da estatal nesta manhã, a curva de juros passou a indicar praticamente um empate entre as apostas de uma tesourada de 0,25 ponto e uma de 0,50 ponto percentual.

O diretor de pesquisa econômica do Goldman Sachs, Alberto Ramos, calculou em nota que, dependendo do repasse, a redução de preços pela Petrobras poderá diminuir o IPCA acumulado do ano em 0,10 ponto percentual.

"Este é um desenrolar positivo e deve dar ao Banco Central ainda mais conforto para começar a afrouxar a política monetária na próxima semana. Se os preços dos combustíveis continuarem a cair nos próximos meses, o BC terá espaço extra para cortar a Selic de forma mais agressiva em 2017", disse.

Em setembro, a inflação oficial brasileira já havia desacelerado com força, acumulando em 12 meses alta de 8,48 por cento, em um cenário favorável para que o BC iniciasse a redução dos juros agora.

Nas contas da economista-chefe da CM Capital Markets, Camila Abdelmalack, as mudanças anunciadas pela Petrobras têm um impacto de descompressão na inflação de 0,06 ponto percentual no ano, sem levar em conta efeitos secundários como a queda do etanol.

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