Importações de diesel por concorrentes da Petrobras mais que dobram em poucos meses

sexta-feira, 14 de outubro de 2016 17:14 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Um dos fatores que estimularam a primeira redução dos preços dos combustíveis pela Petrobras em mais de sete anos, as importações de diesel por concorrentes da estatal mais que dobraram em relação aos níveis verificados no início deste ano, segundo dados da própria petroleira apresentados nesta sexta-feira.

Em setembro, as importações de diesel por terceiros atingiram 850,5 milhões de litros, ante 360,5 milhões em janeiro, antes de dispararem para mais de 700 milhões em junho, segundo dados apresentados por executivos da diretoria da Petrobras nesta sexta-feira, em uma conferência de imprensa para explicar a nova política de preços.

No caso da gasolina, as importações de concorrentes da Petrobras, que não ocorriam em janeiro deste ano, atingiram 203,3 milhões de litros em setembro.

A companhia anunciou nesta sexta a redução do valor do diesel em 2,7 por cento e da gasolina em 3,2 por cento nas refinarias (média Brasil), a partir da zero hora de sábado (15), em uma decisão que levou em conta a defesa de sua fatia de mercado ameaçada pelas crescentes importações.

Com os preços dos combustíveis mais baixos no exterior do que no Brasil, muitas empresas têm importado derivados de petróleo, elevando a fatia de mercado dos concorrentes da Petrobras para 14 por cento, no caso do diesel, e 4 por cento no de gasolina.

"Olhando a nova posição no mercado atualmente, dado o volume de participação de terceiros no mercado não só de diesel como também de gasolina... a gente entendeu que deveria fazer os ajustes nos preços", disse o diretor de Refino e Gás Natural da Petrobras, Jorge Celestino, em uma coletiva de imprensa.

O executivo ressaltou que, entre março e setembro deste ano, o crescimento das importações de diesel por terceiros foi de 11 por cento ao mês e o de gasolina foi de 28 por cento ao mês.

O crescimento da concorrência da Petrobras somente foi possível a partir de novembro de 2014, quando a petroleira passou a praticar preços de combustíveis no Brasil acima dos valores realizados no mercado internacional.

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