Temer nega aumento da Cide com redução do preço da gasolina

sábado, 15 de outubro de 2016 11:57 BRT
 

(Reuters) - O presidente Michel Temer negou neste sábado que o governo pretenda elevar a Cide, tributo que incide sobre combustíveis, por conta da redução do preço da gasolina anunciado na sexta-feira pela Petrobras.

"A Cide não, não há nenhuma previsão neste momento para esta espécie ou não", disse Temer a jornalistas, na cidade indiana de Goa, onde se encontra para a cúpula dos Brics --grupo de países formado, além do Brasil, por China, Rússia, Índia e África do Sul.

"Aliás, quando nós pensamos no teto dos gastos públicos, nós pensamos exatamente na possibilidade de evitar qualquer tributação", acrescentou o presidente, repetindo um dos argumentos que usa para defender a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita os gastos públicos, já aprovada em primeiro turno pela Câmara dos Deputados.

Na sexta-feira, a Petrobras anunciou o primeiro reajuste negativo desde 2009 para a gasolina e diesel, ao apresentar sua nova política de preços de combustíveis que promete ser mais transparente e trazer agilidade para atualizar as cotações nas refinarias.

Temer disse que o presidente da estatal, Pedro Parente, antecipou para ele que provavelmente haveria a redução dos preços e que ressaltou que as avaliações a serem feitas pela Petrobras dependerão sempre do mercado internacional.

"Haverá uma avaliação a cada um mês, dois meses, três meses, enfim, o preço da gasolina e diesel seguirá também os padrões internacionais, foi isso que me disse, na ocasião, Pedro Parente."

O anúncio do corte dos preços pela Petrobras levou a especulações em torno da Cide, especialmente para compensar o setor sucroalcooleiro, cujo etanol perde competitividade com a gasolina mais barata.

Questionado sobre as críticas de que o ajuste fiscal atingiria mais os pobres e sobre a possibilidade de taxar dividendos de modo a aumentar a contribuição dos mais ricos ao ajuste, Temer negou qualquer "perseguição aos mais pobres", lembrando o reajuste do Bolsa Família e outras medidas adotadas pelo seu governo.

"Essas críticas, penso eu, não têm procedência porque na verdade nós vamos caminhar muito ainda, não sabemos o que vamos fazer no futuro. Evidentemente, se houver necessidade de taxar os mais ricos, e até faço um parêntese, não há nenhuma perseguição aos mais pobres."   Continuação...